
O leite materno é fundamental para todos os recém-nascidos e vital para os prematuros, de baixo peso ou internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI). Para enfatizar este fato, surgiu o Dia Mundial da Doação de Leite Humano, celebrado nesta terça-feira, 19, data que sensibiliza a sociedade sobre a importância da doação para os pequenos que não podem ser amamentados pelas próprias mães. O Instituto de Promoção e de Assistência à Saúde de Servidores do Estado de Sergipe (Ipesaúde) tem atuado na orientação de gestantes e puérperas para este gesto de humanidade.
A data enaltece o gesto que ajuda a promover a saúde dos bebês, aumenta as chances de recuperação e protege contra doenças. Segundo o Ministério da Saúde, anualmente, no país, cerca de 150 mil litros de leite humano são coletados, processados e distribuídos para os que mais precisam, por meio de uma rede de Bancos de Leites.
A pediatra do Ipesaúde Manoela Pellegrini explica o porquê deste alimento fazer tanta diferença na vida dos recém-nascidos. “A curto prazo, a gente pensa em diminuição de risco de mortalidade infantil por conta das infecções, das diarreias, de infecções no ouvido e respiratórias. Vemos muitos casos de bronquiolite complicando, então, a amamentação ajuda nisso. O leite materno é muito importante para reduzir esse risco de mortalidade e de complicação. Criança internada que recebe leite materno, a chance de sair bem, de se desenvolver e evoluir com melhora é muito maior do que as crianças que recebem fórmula apenas”, ressalta.
Ato consciente
A beneficiária Rejane Araújo, aos 39 anos, se tornou mãe da pequena Maitê, que está com três meses de vida. Sua filha nasceu saudável, com 2,158 kg e é consciente da importância da amamentação. Ela relata como as profissionais do Ipesaúde a auxiliaram nesse processo, que, por mais natural que possa parecer, pode apresentar alguns desafios. “Amamentar não é sentir dor. Existe aquele desconfortozinho quando o bebê está na amamentação, mas é leve, é tranquilo. Aprendi aqui no Ipes com as meninas, a forma ideal de amamentar e a importância de armazenar o leite, também. Então, para quem tem muito leite, pode ir armazenar para não ter desperdício, ofertar de livre demanda para o bebê”, contou.
Considerado um alimento de padrão ouro, o leite materno não tem contra-indicações. Ainda de acordo com a pediatra Manoela Pellegrini, a amamentação também traz benefícios a longo prazo, como a diminuição das chances de desenvolver obesidade, sobrepeso, diabetes tipo 1 e tipo 2, hipertensão arterial e as alergias em geral, que também são reduzidas quando a criança recebe o leite materno.
A recomendação de especialistas na área é a oferta exclusiva do leite materno, como alimento único nos seis primeiros meses de vida, e continuidade juntamente com outros alimentos por, pelo menos, dois anos. As mães que não podem ou não conseguem amamentar podem recorrer a um banco de leite.
Onde doar
Em Aracaju, o Banco de Leite Humano Marly Sarney (BLH), vinculado à Maternidade Nossa Senhora de Lourdes (MNSL), é referência estadual em ações de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno, prestando assistência aos bebês, orientando as mães que têm dificuldade no manejo da amamentação e realizando a captação de leite. A unidade pode ser procurada por gestantes e puérperas que desejam doar leite materno.
Além da capital, a Rede Sergipana de Bancos de Leite Humano e Postos de Coleta é composta também pelos Bancos de Leite Humano Zoed Bittencourt, em Lagarto, Irmã Rafaela Pepel, em Itabaiana, e os postos de coleta Dr. Fernando Guedes, na Maternidade Santa Isabel, e o da Maternidade Municipal Lourdes Nogueira, ambos em Aracaju.
Para doar, basta entrar em contato com o BLH por meio dos números de telefone (79) 3226-6301 (Recepção), 3226-6302 (Coordenação) e 3226-6304 (Serviço Social), de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h, e manifestar a intenção de colaborar, ou comparecer à rua Mato Grosso, no bairro José Conrado de Araújo, em Aracaju/SE.

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