
Mais de 70 alunos receberam certificado de alfabetização na noite desta quinta-feira, 28, no auditório da Secretaria Municipal de Assistência Social, Proteção e Assuntos Comunitários (Seaspac). Eles participaram do Programa Brasil Alfabetizado (PBA), do Ministério da Educação, que a Prefeitura de Marabá aderiu por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed).
O programa faz parte do Pacto pela Superação do Analfabetismo e Qualificação da Educação de Jovens e Adultos, do Governo Federal, em parceria com estados e municípios, e tem como objetivo erradicar o analfabetismo. Foi implantado em nove escolas da rede municipal, entre elas: Geraldo Veloso, Irmã Theodora, José Flávio Alves de Lima, Judith Gomes Leitão, São Félix, Boa Esperança do Burgo e Maravilha, as duas últimas do campo.
O prefeito Toni Cunha participou da cerimônia. Para o gestor municipal, é importante que Marabá crie um programa próprio de alfabetização.
“Nós já tivemos a ideia e vamos implementar um projeto municipal para que o EJAI não pare, para que todo ano a gente possa alfabetizar mais uma pessoa porque isso alimenta a alma, alimenta o coração. É a verdadeira liberdade. É possibilitar a essas pessoas acesso à alfabetização, à educação. Um momento feliz. Nós vamos fazer com que Marabá faça disso uma política pública também municipal”, comentou o prefeito.



Maria Luiza Ferreira foi uma das concluintes do programa. Ela contou que chegou a estudar até o 1° ano do ensino fundamental, mas, na época, era difícil porque sua família morava na zona rural. Ela soube do PBA por meio de uma amiga. Aos 48 anos e atuando como autônoma nos ramos de costura e culinária, ela consegue ver, por meio dessa oportunidade, novas possibilidades.
“Eu já sabia pouca coisa, só não o que eu aprendi hoje. Eu quero continuar. Tem pessoas que foram para a sala sem saber ler nem a letra A e hoje em dia já está lendo, formando, fazendo tarefa, lendo texto. É muito especial para cada um de nós. Só de a gente ir em uma parada de ônibus e já ler ‘Novo Horizonte’, ‘Liberdade’, já é muito bom. Agora, eu vou para o EJAI, eu quero me formar e ainda quero fazer a faculdade”, ressaltou.


Para a diretora-geral de Ensino da Semed, Conceição Filha, a alfabetização é apenas o primeiro passo diante de muitas possibilidades que os concluintes podem ter a partir de agora.
“Enquanto diretoria-geral de ensino, daremos todo o suporte pedagógico, apoio, para que eles possam dar continuidade nos estudos e concluir o Ensino Fundamental, prosseguir para o Ensino Médio, de acordo com os objetivos pessoais de cada um”, pontuou.


Dos 150 concluintes, 80% seguirão os estudos por meio da Educação de Jovens, Adultos e Idosos. Uma parte não pôde comparecer por serem da zona rural.
A aposentada Anélia Reis tem 70 anos. Ter morado na zona rural na infância a fez ter um contato limitado com a educação formal, chegando até o 3° ano.
“Eu achei bom porque eu sabia um pouquinho já, mas não era muito. Minha leitura melhorou e escrevo bem. Eu acho importante porque tem que aprender o que não sabe. Vai melhorar muita coisa, graças a Deus. Vou continuar estudando, não vou parar”, contou.


No PBA, os alunos recebem material escolar fornecido pela Semed e os professores alfabetizadores recebem uma bolsa.
Uma das professoras foi Cirleia Alves, responsável por acompanhar 25 alunos, que concluíram o processo de alfabetização. Ela resumiu o sentimento em presenciar esse dia de celebração.
“É uma satisfação imensa, gratidão, primeiramente, a Deus e a todos que contribuíram direta ou indiretamente para esse sucesso. Isso é transformar vidas. Estamos aí para contribuir e que venha mais. O professor alfabetizador de jovens, adultos e idosos tem que amar o que faz e acolher com carinho todo dia”, disse.


De acordo com dados do IBGE, o Brasil possui mais de 9 milhões de pessoas analfabetas, sendo a maioria acima de 40 anos. O PBA é um programa que busca alcançar principalmente esse público.
“Hoje, estamos concluindo um ciclo, que é de alfabetização, que os alunos iniciaram, tiveram um ano estudando e agora estão concluindo. São aquelas pessoas que não tiveram acesso à educação e que hoje estão se escolarizando. O objetivo do programa é que esses alunos retornem ao banco das escolas, concluam a Educação Básica, que é direito deles. Esse é o primeiro passo”, observou Adriana Machado, coordenadora da EJAI.















Texto: Ronaldo Palheta
Fotos: Sara Lopes
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