
No Carnaval, os dias de festa começam cedo e acabam tarde, e os foliões passam grande parte do tempo fora de casa. Por isso, é comum ver pessoas se alimentando na rua, consumindo em quiosques e de ambulantes que oferecem praticidade e opções variadas. Espetinhos, sanduíches naturais e pratos com maionese, por exemplo, são alguns dos pedidos mais populares, mas podem trazer fim à diversão caso estejam impróprios para consumo.
O gastroenterologista do Hospital do Servidor Público (HSPE), Gerson Nogueira de Moraes, explica que as altas temperaturas do verão podem acelerar a deterioração dos alimentos e a proliferação dos microrganismos que provocam a intoxicação alimentar. “Essas comidas são vendidas por ambulantes que muitas vezes não conseguem ter uma estrutura para preservar esses alimentos. Refrigeração, principalmente. O manuseio desses alimentos muitas vezes é feito de forma inadequada”, esclarece.
O médico do HSPE elucida maneiras de identificar se uma comida pode estar imprópria para consumo. “Se esse alimento tem aspecto de deteriorado, não deve ser naturalmente consumido. O manuseio, a sua conservação em ambiente refrigerado, tudo isso deve ser levado em conta”, informa. Aspectos como sabor, coloração, cheiro e textura que não condizem normalmente com os alimentos devem ser avaliados antes de ingeri-los, sendo indicativos de contaminação.
Os principais sintomas de intoxicação alimentar são diarreia, náuseas, vômitos e dor abdominal. Nos casos de manifestações gastrointestinais mais intensas, o paciente pode avançar para um quadro de desidratação mais grave. Segundo Gerson, este é o momento em que ele deve buscar assistência especializada. “Levar a um médico para que possa avaliar a sua condição, determinar a necessidade de internação ou não, de hidratação, de uso de antibióticos. De suporte para que ele possa superar mais rapidamente, com maior segurança, esse processo infeccioso”, alerta.
O gastroenterologista explica que, principalmente nesta época do ano, casos de intoxicação alimentar de maior gravidade são tratados com frequência nos prontos-socorros. “No verão e nesta época de festas populares, festas de rua como o Carnaval, você vê mais os jovens se expondo ao risco ao não observar a precaução com a saúde, como a hidratação, e muitas vezes consomem bastante álcool, o que reduz os critérios de segurança”, diz.
Segundo ele, o consumo excessivo de álcool facilita a negligência das pessoas com a qualidade e procedência dos alimentos que podem ser ingeridos.
Para que a folia não acabe, a recomendação é levar alimentos de casa ou consumir em estabelecimentos já conhecidos. Lanches práticos para o Carnaval, que cabem em pochetes e bolsas, como barra de cereais, frutas secas e chips de leguminosas são algumas opções listadas pelo médico.
A hidratação é fundamental, podendo ser feita por meio de água, bebidas isotônicas ou sucos. Já a contraindicação é consumir alimentos perecíveis ou à base de ovo, já que estão expostos à manipulação e conservação inadequadas, aumentando o risco de proliferação de bactérias. Alguns exemplos de lanches que devem ser evitados são sanduíches naturais, maionese e iogurte.
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