
Em entrevista ao SP Pod, da Agência SP, o capitão da Defesa Civil de São Paulo, Maxwel de Souza, explicou como o Governo de São Paulo vem se preparando para a temporada de seca de 2026 após enfrentar um dos períodos mais críticos da história recente do estado.
Segundo ele, a experiência vivida em 2024 serviu para aperfeiçoar protocolos de resposta e fortalecer as ações preventivas antes mesmo do início do período mais seco do ano. “2024 foi um ano muito desafiador para São Paulo. Nós vivemos a pior estiagem da história do estado. Tivemos mais de 8 mil focos de incêndio e, em agosto, praticamente o estado inteiro estava em chamas. Foi necessária uma grande mobilização para que conseguíssemos controlar aquela situação”, afirmou.
Durante a crise de incêndios registrada em 2024 , o Governo de São Paulo instalou um gabinete de crise para coordenar a atuação de diferentes órgãos estaduais. A força-tarefa reuniu equipes da Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, secretarias estaduais e forças de segurança para monitorar áreas afetadas e acelerar o combate aos focos de incêndio.
Além do emprego de aeronaves, viaturas e equipes em campo, as ações envolveram o envio de equipamentos, apoio logístico aos municípios e campanhas de conscientização voltadas à prevenção das queimadas .
De acordo com Maxwel, a maior parte dos incêndios registrados no estado tem origem em ações humanas, o que reforça a importância do trabalho preventivo.
“Tem um estudo da Secretaria do Meio Ambiente que aponta que, de cada dez incêndios, nove são provocados por ação humana. Na maioria esmagadora das vezes é o ser humano que provoca o incêndio, seja de forma intencional ou não”, explicou.
Uma das novidades previstas para este ano é a implantação do programa Muralha Paulista do Fogo, iniciativa que utilizará sistemas de monitoramento por câmeras para auxiliar na identificação rápida de focos de incêndio.
A ferramenta será integrada inicialmente às câmeras administradas pela Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) e pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER), ampliando a capacidade de vigilância em áreas próximas às rodovias estaduais.
Segundo o capitão, a tecnologia permitirá que as equipes acompanhem em tempo real o surgimento de focos de calor e adotem medidas antes que o fogo ganhe grandes proporções.
“O nosso centro de monitoramento vai conseguir visualizar essas câmeras integradas à plataforma. Quando o sistema emite um alerta, o operador consegue avaliar rapidamente a situação e tomar uma decisão. Não vamos esperar o incêndio sair do controle para enviar recursos”, disse.
Além das ações voltadas às queimadas, a Defesa Civil mantém monitoramento permanente das condições meteorológicas em todo o estado. O objetivo é antecipar riscos relacionados a chuvas intensas, vendavais, estiagens prolongadas e outros eventos extremos que têm se tornado mais frequentes nos últimos anos.
A atuação envolve a emissão de alertas para a população, o apoio às prefeituras e a coordenação de ações emergenciais em situações de risco.
O fortalecimento da estrutura estadual integra uma estratégia mais ampla de adaptação às mudanças climáticas, tema que ganhou protagonismo na gestão paulista diante dos impactos registrados nos últimos anos.
A Defesa Civil do Estado atua em parceria com os 645 municípios paulistas, oferecendo suporte técnico, monitoramento e orientação para situações de emergência.
O trabalho inclui ações de prevenção, preparação, resposta e recuperação diante de desastres naturais, além de programas de capacitação voltados às equipes municipais.
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