
Com uma participação maciça e atuante na 5ªedição do Festival Internacional do Chocolate e do Cacau de Altamira, as mulheres mostram a força que têm na atividade cacaueira do estado. Seja na produção, na comercialização, na segurança ou na logística, elas mostram que a representatividade feminina é fundamental para a concretização e êxito do evento, que ocorre no município localizado no Xingu, desde a última quinta-feira (11) e encerra neste domingo à noite (14).
Conhecida na comunidade como Beth Cocoa, a produtora rural da Vila São Gregorio, do municípío de Barcarena, Elizabeth Menezes, é uma das representantes femininas que estão com um estande no evento. Há três anos no ofício de produzir cacau e fabricar chocolate e derivados, a dona do empreendimento participa pela segunda vez do Chocolate Xingu.
Ela elogia o evento e diz que entre as novidades que apresenta no festival está o "cupucoa", que é um doce de cupuaçu com barra de chocolate a 50% e biscoito derretido na manteiga. "A aceitação está sendo muito boa, para a quantidade que eu trouxe, praticamente já vendi tudo", disse.
Ela diz que as mulheres, nos últimos anos, passaram a gannhar mais espaço na produção rural. "Nós estamos representando o agro paraense com grande crescimento na produção", disse.
Ela diz que se considera uma guerreira, pois além da produção do cacau, administra outros produtos. "Eu trabalho com a produção de açaí, de cupuaçu, de coco". O sítio "Cocoa", como ela batizou, tem 16 hectares. Viúva, ela trocou a capital Belém para morar na área rural de Barcarena e disse que não se arrependeu. "Eu sou formada em Direito, trabalhava como conciliadora no Tribuinal de Justiça do Estado(TJE), mas optei em trabalhar como produtora rural e digo que compensa, pois apesar de não conhecer nada sobre essa profissão na época, fui atrás e procurei estudar, descobrir e criar novos produtos, conhecer pessoas; é muito gratificante".
A produtora conta que trabalha com cacau de várzea, que tem um sabor diferenciado, mais intenso e tem grande aceitação. "No nosso sítio não aceitamos outras marcas. Preferimosmanter a originalidade do cacau de várzea", complementa.
Inspiração- Oriunda da região sudoeste do Pará, outra mulher que trabalha com a produção do cacau também mostra a força feminina no segmento. Rosiane Farias, do Sítio São Francisco, localizado a 12 quilômetros da sede do município de Medicilândia, participa do festival de Altamira apresentando ao público os produtos feitos com amêndoa de cacau produzida e cuidada na sua propriedade. Ela informou que começou a trabalhar com chocolate há 15 anos, na fábrica da Cacaway. Depois passou a produzir junto com o marido em sua própria propriedade.
Para ela é importante o reconhecimento do trabalho da mulher nesse segmento, que ainda é associado ao público masculino, segundo observou. "O cacau não é só a amêndoa seca. Ele tem outros derivados que a gente utiliza como o mel, ou só a manteiga. A gente colhe o cacau e depois seleciona o que vai virar cacau fino e o que será descartado e reaproveitado para outra finalidade", pontuou.
A empreendedora está com um estande onde oferta produtos como chocolate com cumaru e nibs, trufas, paçocas, geleias, amêndoas caramelizadas, entre outros.
A produtora é acompanhada no festival pela filha Ariele, de nove anos, que garante que já sabe cuidar de cacau. "Eu aprendi que para o cacau virar um nibs, não é só plantar ou colher e secar, mas sim a temperagem dele que é especial e o açucar mascavo para ele. No futuro eu quero seguir o que a minnha mãe me ensina e trabalhar com o cacau. Quero ter educação com os outros, igual ela, que serve de inspiração para mim", anunciou Ariele.
Quem quiser conferir o trabalho dessas e outras mulheres no Festival Internacional de Chocolate e de Cacau de Altamira, pode visitar o espaço de convenções Vilmar Soares, até às 21h deste domingo.
DIA MUNDIAL DO... Pedalada pela Vida reúne mais de 260 participantes em celebração ao Dia Mundial do Doador de Sangue
São Paulo Frio pode intensificar dores em pessoas com fibromialgia; veja cuidados
São Paulo Entenda como o avanço do saneamento é peça fundamental para redução da poluição em até 55% em rios da Grande SP Mín. 16° Máx. 25°