
No dia 15 de junho de 2026, o Acre completa 64 anos de elevação à categoria de Estado da Federação Brasileira. A data marca a sanção da Lei Federal nº 4.070, assinada pelo presidente João Goulart em 15 de junho de 1962, transformando o então Território Federal do Acre em uma das unidades da Federação.

Construída décadas antes, essa tajetória nasceu do esforço de milhares de homens e mulheres que ocuparam os seringais amazônicos, enfrentaram o isolamento geográfico, participaram da Revolução Acreana e lutaram para que o território deixasse de ser boliviano e passasse a integrar definitivamente o Brasil. Essa é a história do Acre.

Ao completar 64 anos como estado, o Acre celebra não apenas uma data administrativa, mas uma trajetória marcada por resistência, identidades e orgulho regional. Essa história também se expressa em seus principais símbolos e marcos históricos: a bandeira, o hino, o brasão, o Palácio Rio Branco, a Gameleira e a memória da Revolução Acreana.

Em 2026, esse aniversário ganha ainda mais significado por ocorrer sob a liderança de Mailza Assis, a segunda mulher a ocupar o cargo máximo do Poder Executivo acreano.
Antes de existir como estado brasileiro, o Acre era uma região disputada. Embora o território pertencesse oficialmente à Bolívia conforme estabelecido pelo Tratado de Ayacucho de 1867, milhares de brasileiros, atraídos pelo ciclo da borracha, já viviam e trabalhavam na região no final do século XIX. A tensão aumentou quando a Bolívia tentou exercer maior controle político-econômico sobre a área, provocando revoltas lideradas pelos seringalistas e seringueiros brasileiros. Foi nesse contexto que surgiu a chamada Revolução Acreana, movimento que culminou com a incorporação definitiva do território ao Brasil após o Tratado de Petrópolis, em 1903.

A luta armada, liderada por figuras como José Plácido de Castro, consolidou-se como um dos principais marcos da formação da identidade acreana. A memória desses acontecimentos permanece viva em monumentos, cerimônias cívicas e símbolos oficiais do estado.
Entre todos os símbolos acreanos, nenhum é tão reconhecido quanto a Bandeira do Acre.

O atual desenho foi oficializado pela Lei nº 1.170 de 1995, retomando o modelo criado ainda no período do Estado Independente do Acre, em 1899. Dividida diagonalmente entre o amarelo e o verde, o símbolo se utiliza das mesmas cores predominantes do pavilhão nacional, simbolizando a integração do Acre ao Brasil. O verde simboliza a esperança, enquanto o amarelo remete às riquezas da terra e, em algumas interpretações históricas, a paz.
O elemento mais marcante é a estrela vermelha conhecida como Estrela Altaneira. Ela simboliza o sangue derramado pelos revolucionários acreanos na luta pela incorporação definitiva do território ao Brasil.

Ao longo das décadas, a estrela tornou-se um dos maiores símbolos do orgulho regional acreano. Não por acaso, a troca da bandeira no monumento À Revolução, localizado na Gameleira, tornou-se uma das cerimônias mais tradicionais das comemorações de aniversário do estado.
O Hino Acreano é uma verdadeira celebração da luta revolucionária que marcou a formação histórica do estado. Com letra de Francisco Mangabeira, a letra enaltece valores como coragem, patriotismo, liberdade e o profundo vínculo dos acreanos com sua terra.
Logo nos primeiros versos, a composição faz referência à bravura do povo aacreano e à importância histórica da Revolução Acreana. Já o refrão destaca a Estrela altaneira, principal símbolo da bandeira do estado e um dos maiores emblemas da identidade acreana.
“Fulge um astro na nossa bandeira, que foi tinto com sangue de heróis.”
A passagem reforça a ligação entre o símbolo estadual e os homens e mulheres que participaram da luta pela incorporação do Acre ao Brasil. Mais do que um canto cívico, o hino funciona como uma narrativa histórica em forma de música, transmitindo às novas gerações a memórias dos acontecimentos e os valores associados à formação do estado.
Embora menos conhecido do que a bandeira, o brasão do Acre reúne símbolos que representam diferentes momentos da formção histórica e política do Acre.

Nele aparecem referências à floresta amazônica, aos rios, à riqueza natural, à produção extrativista e à própria Revolução Acreana. A composição procura representar a união entre natureza, trabalho e patriotismo, três elementos frequentemente associados à identidade acreana ao longo de sua história.
Poucos edifícios simbolizam tanto o processo de construção institucional do Acre quanto o Palácio Rio Branco.

A pedra fundamental foi lançada em 15 de junho de 1929, durante o governo de Hugo Carneiro. O prédio foi inaugurado em 1930 e concluído posteriormente, tornando-se a sede do governo acreano. A arquitetura combina elementos clássicos com influências do art déco, movimento artístico caracterizado por formas geométricas, linhas aerodinâmicas e materiais sofisticados. O estilo refletia os ideais de modernidade e d progresso da época, em um período em que o Acre buscava consolidar sua estrutura administrativa e fortalecer sua presença política na federação brasileira.

Ao longo de décadas, o Palácio recebeu governadores, autoridades nacionais e foi palco de decisões que moldaram a história do estado.
Hoje, continua sendo um dos principais símbolos da administração pública acreana.
Se o Palácio Rio Branco representa o poder institucional, a Gameleira representa a memória afetiva do povo acreano.

Localizada às margens do Rio Acre, a região da Gameleira foi um dos berços da atual cidade de Rio Branco. Ali se desenvolveram atividades comerciais, portuárias e sociais que desempenharam papel fundamental na formação da capital. Ao longo dos anos, o espaço consolidou-se como um dos mais importantes patrimônios históricos do estado.

A Gameleira também abriga o tradicional mastro da Bandeira do Acre, cenário de uma das mais emblemáticas cerimônias do calendário cívico estadual: a celebração do aniversário do estado.
A elevação do Acre à condição de estado em 1962 foi resultado de décadas de amadurecimento político e administrativo. Após a incorporação ao Brasil em 1903, o território permaneceu por quase 60 anos como Território Federal. Somente em 15 de junho de 1962, com a Lei Federal nº 4.070, o Acre conquistou autonomia política plena, passando a eleger seus representantes e integrar definitivamente a estrutura federativa brasileira. A data consolidou-se com marco da emancipação política acreana e é celebrada anualmente como feriado estadual.

Ao celebrar seus 64 anos, o Acre vive um momento singular. Pela segunda vez em sua história, o estado é governado por uma mulher: Mailza Assis. A ex-governadora Iolanda Fleming, que assumiu a chefia do Executivo estadual entre 1986 e 1987, após a renúncia de Nabor Júnior para concorrer ao Senado. Reconhecida como a primeira mulher a governar um estado brasileiro, Iolanda Fleming entrou para a história polpitica nacional e acreana. Em 2019, recebeu o diploma Bertha Lutz, concedido pelo Senado Federal em recoonhecimento à sua trajetória. A homenagem foi entregue pela então senadora Mailza Assis, hoje governadora do Acre.

A chegada ao comando do Executivo estadual por Mailza Assis representa mais um capítulo da evolução política acreana, ampliando a participação feminina em espaços historicamente ocupados por homens. A presença de uma mulher à frente do governo reforça uma trajetória de transformações institucionais iniciada ainda nos tempos da Revolução Acreana, quando o território lutava pelo direito de decidir seu próprio destino.

Sob a liderança da governadora Mailza Assis, o Estado tem buscado dar continuidade às políticas públicas e ampliar investimentos em áreas estratégicas como saúde, educação, infraestrutura, segurança pública e geração de oportunidades.

Nos primeiros 30 dias de gestão, foram anunciados investimentos superiores a R$ 144,9 milhões, além da contratação de servidores efetivos e temporários para reforçar órgãos estaduais, avanços em obras estruturantes, fortalecimento dos serviços públicos e ações voltadas aos 22 municípios acreanos.
Entre as iniciativas destacam-se a ampliação de programas sociais, investimentos na educação, entrega de CNHs sociais, reforço das forças de segurança e melhorias na rede de saúde pública.

Na área da educação, o governo deu continuidade ao processo de convocação de aprovados no maior concurso da história da rede estadual de ensino, incluindo vagas específicas para a educação especial. Já na saúde, obras de ampliação e modernização de unidades hospitalares no interior reforçam a estratégia de regionalização dos serviços.

A segurança pública também figura entre as prioridades da atual gestão. O plano estratégico dos primeiros 100 dias prevê mais de 100 ações e investimentos superiores a R$ 111 milhões destinados ao fortalecimento das instituições que compõem o Sistema Integrado de Segurança Pública do Acre.

Para a governadora Mailza Assis, o desenvolvimento do Acre precisa estar associado à melhoria da qualidade de vida da população: “Colocar as pessoas em primeiro plano significa dar oportunidades, e isso tem sido feito por meio da geração de empregos, do chamamento de concursos públicos e do fortalecimento dos serviços oferecidos à população. Esse é o compromisso que assumimos e que seguimos honrando com trabalho, responsabilidade e dedicação”, afirmou.

Sessenta e quatro anos após conquistar sua autonomia política, o Acre continua escrevendo novos capítulos de sua história. Uma trajetória construída pela coragem dos pioneiros da Revolução Acreana, preservada nos símbolos que representam a identidade acreana e projetada para o futuro por meio de políticas públicas que buscam promover desenvolvimento, inclusão e melhores oportunidades para a população.
Sessenta e quatro anos após sua emancipação política, o Acre continua carregando em seus símbolos a memória de sua origem.

A estrela vermelha da bandeira, os versos do hino, os elementos do brasão, as paredes do Palácio Rio Branco e a sombra centenária da Gameleira contam a mesma história: a de um povo que transformou um território isolado da Amazônia em um estado brasileiro marcado pela resistência, pelo sentimento de pertencimento e pela capacidade de se reinventar.
Ao assumir o comando do Estado, Mailza Assis destacou que sua gestão tem o compromisso de dar continuidade ao processo de desenvolvimento do Acre, mantendo as pessoas como prioridade das políticas públicas. “As pessoas permanecerão no centro das ações e das políticas públicas. Nosso compromisso é trabalhar para gerar oportunidades, fortalecer a economia, investir em saúde, educação e segurança e garantir que o desenvolvimento chegue a todas as regiões do Acre”, afirmou a governadora.
Ao celebrar mais um aniversário, o Acre não apenas recorda o passado. Também reafirma, diante das novas gerações, o legado daqueles que lutaram para que estaterra conquistasse seu lugar definitivo na história do Brasil.
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