
O Hospital de Urgências de Sergipe (Huse) alcançou resultado inédito ao concluir o ciclo do projeto Reestruturação de Hospitais Públicos (RHP), iniciativa do Ministério da Saúde realizada no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS). Com meta pactuada de 20% de aumento nas conformidades avaliadas pela Ferramenta de Avaliação Hospitalar (FAHosp), a unidade superou as expectativas e atingiu 44,1% de conformidade nas áreas-foco, mais que o dobro do objetivo inicial.
Conduzido pelo Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Entidade de Saúde de Reconhecida Excelência (ESRE), o projeto teve duração de 15 meses, divididos em três módulos que contemplaram planejamento, capacitações, implementação e monitoramento das ações. Ao longo do período, foram realizadas nove visitas multiprofissionais, oito oficinas presenciais e 26 videoconferências com setores estratégicos da unidade.
Para a coordenadora do projeto RHP, Carolline Abrahão, o avanço representa mais do que números. “O Huse conseguiu um resultado que vai além de metas. Pensamos na segurança da equipe e dos pacientes, em uma assistência mais segura e efetiva. O desafio era alcançar 20% de aumento nas conformidades e o hospital atingiu 44,1%. Vocês dobraram a meta. Esse resultado é para vocês e para os pacientes”, enfatizou.
Ela destacou ainda o comprometimento da equipe diante da complexidade da unidade. “Foi um grande aprendizado trabalhar em um hospital tão complexo e de referência para a região. Vocês se debruçaram para promover mudanças e, como equipe de referência, abraçaram o projeto e o fortaleceram internamente. Foi uma grande alegria, porque confiávamos nesse trabalho conjunto e de muita parceria”, afirmou.
A metodologia de intervenção incluiu aplicação e atualização de planos de ação 5W2H, acompanhamento sistemático e atuação direta em áreas-foco escolhidas pelo projeto: Pronto Socorro Adulto, Internamento Adulto, Unidade de Terapia Intensiva, Farmácia, Núcleo Interno de Regulação (NIR), Núcleo de Segurança do Paciente (NSP), Núcleo de Educação Permanente, Serviço Especializado em Segurança e Medicina do Trabalho (Sesmt) e Central de Equipamentos.
Compromisso
Para o ex-superintendente do Huse, Roberto Gurgel, que acompanhou todo o processo, o resultado é significativo dentro da realidade de um hospital público de grande porte. “É uma felicidade imensa ter feito parte de todo esse processo. Chegar a este resultado é impressionante dentro de um hospital público. Todos os setores foram contemplados com aumento de melhorias, que chega até 80% em algumas áreas. Isso é reflexo do engajamento das pessoas e do compromisso com o serviço público. A resposta do RHP, por meio da equipe do Hospital Oswaldo Cruz, é um reconhecimento acima de tudo. Estão todos de parabéns. A sensação é de dever cumprido”, salientou.
A enfermeira Nataly Goes, que atuou como diretora assistencial durante o projeto, também ressaltou o esforço coletivo. “O resultado significativo do RHP, em que na avaliação final, duplicamos a meta inicial só foi possível por conta do engajamento de toda a equipe. Inúmeros são os desafios diários e todos os avanços dos indicadores foram gratificantes. Transformamos a nossa realidade e, a partir de agora, é multiplicar os resultados para as outras áreas da unidade hospitalar, fortalecendo ainda mais a assistência de forma segura e efetiva”, frisou.
A médica Cibelle Paronetto, integrante do projeto RHP, destacou que o desempenho do hospital ganha ainda mais relevância diante do seu perfil assistencial. “O Huse é tão complexo que, em determinadas partes, daria para fazer um novo hospital. Atingir um resultado deste, frente a uma demanda tão alta e casos tão complexos, não é fácil. Ficamos muito felizes e orgulhosos”, assegurou.
Transformação
A Ferramenta de Avaliação Hospitalar (FAHosp) divide a análise em três dimensões: gestão, cuidado e ambiente. Entre os setores que mais avançaram estão o Núcleo de Educação Permanente, com 100% de conformidade, e o Núcleo de Segurança do Paciente, com 95,6% de conformidade.
A enfermeira Ellen Koga, do Núcleo de Segurança do Paciente, definiu o projeto como transformador. “O próprio nome do projeto já nos diz muito: é reestruturar, rever processos, fortalecer o que já existe e sistematizar o trabalho de forma mais segura, transparente e com maior conformidade das informações. É uma mudança de paradigma. Uma revolução. O projeto passa pela assistência, pelos equipamentos, pelas comissões e pelo planejamento estratégico. Ele fez a diferença na estruturação do hospital”, afirmou.
No Núcleo de Educação Permanente, a coordenadora Flávia Santos destacou o fortalecimento dos processos internos. “O RHP consolidou e alinhou nossos processos. Já tínhamos a Educação Permanente como foco, mas precisávamos de metas e processos mais estruturados e robustos. O projeto trouxe esse arcabouço. Agora o objetivo é avançar rumo à acreditação”, disse.
Próximos passos
Para o atual superintendente do Huse, Rilton Morais, o projeto proporcionou uma visão externa estratégica sobre fluxos e estrutura hospitalar. “O projeto instituiu metas e o hospital cumpriu. Foi um resultado excelente. Agora é continuar a busca pela excelência e levar essa metodologia para outros setores, expandindo o projeto para toda a unidade”, finalizou.

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