
Muito antes de os artistas entrarem em cena e o público começar a cantar, existe uma equipe que também passa por uma intensa preparação nos bastidores do Arraiá do Povo, na Orla da Atalaia. São os intérpretes de Língua Brasileira de Sinais (Libras), responsáveis por garantir que as pessoas surdas tenham acesso às apresentações musicais e culturais realizadas durante os festejos.
Entre alongamentos, concentração, estudos prévios e preparação psicológica, os profissionais se organizam para enfrentar a maratona de apresentações que movimenta o maior arraiá à beira-mar do Brasil.
O intérprete Jorge O’Kong, que veio do Ceará para integrar a equipe, explica que cada profissional possui um ritual próprio antes de subir ao palco. “Cada um tem sua particularidade antes de começar. Eu prefiro me concentrar. A gente faz um processo de estudo antes de chegar aqui, mas quando a gente chega é igual a uma prova. Quem estudou, estudou”, destacou.
Para a intérprete Micaela Costa, a preparação física e mental é fundamental para garantir o desempenho durante horas de apresentações. “Alongar para acordar o corpo e fazer os movimentos que são necessários. A gente faz academia para aguentar o pique do São João. É uma preparação corporal e mental. Às vezes, a gente fica com sede, com necessidades fisiológicas, mas tem que dar uma segurada e tudo isso mexe com o psicológico. Fazemos um trabalho psicológico antecipado para lidar com todas essas adversidades”, explicou.
Já Liliane Silva ressalta que o estudo prévio das músicas e o trabalho em equipe fazem toda a diferença na qualidade da interpretação. “Estudamos as músicas dos artistas e contamos com o apoio dos nossos colegas porque, enquanto estamos no palco interpretando, eles estão embaixo dando suporte. Isso é fundamental”, afirmou.
Além dos intérpretes, o trabalho conta com o acompanhamento do consultor surdo Cristian Fernandes, que atua avaliando e orientando as interpretações para garantir que a mensagem chegue de forma clara ao público.
“A atuação dos intérpretes é muito importante. Eu, como consultor surdo, corrijo, avalio e ajudo observando a atuação deles. A principal função é garantir que os surdos entendam que a informação está sendo passada de forma clara. Às vezes o intérprete está sinalizando e percebemos que falta um pouco mais de interpretação. Os surdos vêm assistir aos shows, gostam de se divertir e é muito importante ter acessibilidade. Depois que os intérpretes passaram a estar presentes, esse público aumentou”, ressaltou.
Inclusão em todos os espaços
A secretária de Estado da Assistência Social, Inclusão e Cidadania, Érica Mitidieri, destacou que a acessibilidade é uma prioridade durante os festejos. “Garantir intérpretes de Libras significa assegurar que as pessoas surdas possam vivenciar a cultura, a música e a alegria dos festejos com autonomia e participação. Esse trabalho não acontece apenas no palco principal, mas em todos os espaços de apresentações artísticas do evento, reforçando o nosso compromisso com uma festa cada vez mais acessível, acolhedora e democrática para todos os sergipanos e turistas que nos visitam”, declarou.


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