
A Secretaria de Estado da Educação (Seed-PR) tem fortalecido o atendimento a comunidades tradicionais, mantendo o vínculo entre escola e território e garantindo acesso à educação em regiões historicamente marcadas por dificuldades de deslocamento e oferta educacional.
No Paraná, as duas escolas quilombolas da rede estadual, o Colégio Estadual Quilombola Diogo Ramos e o Colégio Estadual Quilombola Maria Joana Ferreira, têm se consolidado como espaços de pertencimento, integração social e valorização cultural, atuando de forma articulada com as comunidades onde estão inseridas.
O Colégio Estadual Quilombola Diogo Ramos, localizado na comunidade quilombola João Surá, em Adrianópolis, município da Região Metropolitana de Curitiba e situado no Vale do Ribeira, tem se consolidado como exemplo de integração entre escola e território. A unidade atende atualmente cerca de 24 estudantes e desenvolve um modelo educacional construído em diálogo com a comunidade local.
“Quando o colégio reconhece o território em que está inserido e constrói suas ações junto com a comunidade, o ensino ganha sentido, identidade e impacto social. Essas instituições mostram como a educação pode fortalecer o pertencimento e promover o desenvolvimento coletivo”, afirmou o secretário estadual da Educação, Roni Miranda.
O processo de criação do colégio começou a ganhar forma em 2006, a partir de demandas apresentadas pela comunidade à Seed-PR. A criação oficial ocorreu em dezembro de 2008, por meio da Resolução nº 5.548/08, com início das aulas em 2009 e autorização de funcionamento em 2010.
Antes da implantação da escola, os estudantes da comunidade tinham acesso apenas aos anos iniciais do Ensino Fundamental, em turmas multisseriadas. Para dar continuidade aos estudos, era necessário se deslocar para outras localidades, enfrentando longas distâncias e condições precárias de transporte. Em alguns casos, percorriam cerca de 30 quilômetros de estrada de terra e retornavam para casa apenas durante a madrugada.
Com a ampliação da oferta educacional no território, o colégio passou a atender estudantes da própria comunidade e de localidades próximas, incluindo outros núcleos quilombolas da região. Atualmente, conta com 12 professores e quatro servidores, garantindo o funcionamento pleno da instituição. Atualmente, o transporte escolar atende 20 alunos em duas rotas, por meio de um ônibus e um micro-ônibus, em regiões rurais e de difícil acesso.
Em 2025, o colégio passou por melhorias na infraestrutura, por meio do projeto Escola Mais Bonita, com investimentos de aproximadamente R$ 100 mil destinados a reforma e construção de pisos, calçadas, fossa séptica, pinturas, prateleiras para estoque de merenda, manutenção do parque das crianças, instalação de telas no entorno e de aparelhos de ar-condicionado. As ações ampliaram as condições de ensino e fortaleceram o acesso à educação no território quilombola.
ALIMENTAÇÃO TRADICIONAL– Além das ações pedagógicas, o Governo do Estado também investe em políticas públicas que garantem condições de permanência dos estudantes na escola. Por meio do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Educacional (Fundepar), vinculado à Seed-PR, foram distribuídas, em 2025, cerca de 16 toneladas de alimentos para as duas unidades quilombolas da rede, respeitando hábitos alimentares tradicionais.
Já em 2026, até o momento, já foram destinadas mais de 2 toneladas às escolas. Somados, os estabelecimentos registram cerca de 1500 servimentos diários.
O cardápio inclui ingredientes tradicionais utilizados pela comunidade, como a banha de porco, empregada na preparação de pratos típicos locais. A iniciativa contribui para preservar hábitos alimentares da comunidade e valorizar a cultura quilombola também no cotidiano escolar. “
Além dos alimentos que são enviados pelo Fundepar, nós utilizamos alimentos oriundos da agricultura familiar quilombola, como frutas e verduras produzidas na própria comunidade, entre elas banana, jabuticaba, laranja, cará, abóbora, mandioca, milho, pepino, inhame e palmito. Em momentos especiais e sempre que possível, também servimos preparações típicas locais, como pastel de farinha de milho, bolo de amido, chá, paçoca de amendoim, biju, curau de milho, pão caseiro, farofa de ovos e canjica”, explicou a diretora da instituição, Cassiane Aparecida de Matos.
A iniciativa integra a política estadual de alimentação escolar e está alinhada ao compromisso do Paraná com o respeito aos hábitos culturais e alimentares de povos e comunidades tradicionais, sem renunciar à segurança alimentar e nutricional dos estudantes.
Para a diretora-presidente do Fundepar, Eliane Teruel Carmona, o cardápio escolar vai além da oferta de refeições. “No Paraná, a alimentação escolar é pensada como parte do processo educativo. Respeitar a cultura alimentar das comunidades também é uma forma de promover educação e garantir uma nutrição adequada, que contribui diretamente para a aprendizagem e para o futuro dos estudantes”, disse.
ESPAÇO DA COMUNIDADE– À frente da gestão desde 2021, a diretora Cassiane Aparecida de Matos é a primeira gestora quilombola da unidade. Integrante da rede estadual desde 2013, iniciou sua trajetória como secretária e, a partir de 2016, passou a atuar em sala de aula. Indicada pela própria comunidade para assumir a direção, ela destaca que a criação do colégio é resultado de uma mobilização histórica por acesso à educação, aliada à atuação do Governo do Estado na ampliação da oferta de ensino.
A relação próxima entre escola e comunidade também se reflete no planejamento pedagógico. No início de cada ano letivo, moradores, lideranças locais e representantes da comunidade participam de reuniões para discutir as prioridades educacionais e o contexto social do território. “O planejamento escolar é pensado junto com a comunidade. Debatemos o calendário, as atividades e as necessidades locais para que a escola esteja conectada com a realidade dos estudantes”, explicou a diretora.
O calendário escolar incorpora datas simbólicas, celebrações religiosas e momentos ligados à ancestralidade quilombola. Entre as atividades desenvolvidas estão oficinas culturais, rodas de conversa, projetos de memória local e ações voltadas à valorização dos saberes tradicionais, muitas vezes conduzidas com a participação de lideranças comunitárias, artesãos e anciões da comunidade.
Além das atividades pedagógicas, o colégio também funciona como espaço de referência para os moradores. A estrutura da escola é utilizada para reuniões comunitárias, atividades culturais e acesso a equipamentos disponíveis na unidade.
Ainda conforme a diretora, a experiência do Colégio Estadual Quilombola Diogo Ramos demonstra como a aproximação entre escola e comunidade pode fortalecer a educação pública, valorizar identidades culturais e ampliar o acesso ao ensino em territórios historicamente marcados por desigualdades. “O colégio se tornou um ponto de encontro da comunidade. É um espaço onde as pessoas têm acesso à estrutura, à comunicação e a equipamentos que ajudam no desenvolvimento do território”, destacou.
ESCOLAS QUILOMBOLAS– O Colégio Estadual Quilombola Maria Joana Ferreira atende 211 estudantes da comunidade quilombola Adelaide Maria da Trindade Batista, em Palmas, no Sul do Estado.
Em ambas as instituições, a educação escolar quilombola ocorre por meio de proposta pedagógica e formação continuada próprias, respeitando saberes locais e a especificidade étnico-cultural de cada comunidade, conforme diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Além das instituições localizadas em comunidades quilombolas, a rede estadual ainda integra escolas indígenas e do campo, que também mantêm normas, pedagogia e funcionamento próprios, em alinhamento à realidade da comunidade local.
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