
A produção de leite é uma atividade presente em milhares de propriedades rurais paulistas, muitas delas ligadas à agricultura familiar, e tem importância na geração de renda no meio rural. A pecuária leiteira está presente em cerca de 94% dos municípios do estado. Para apoiar essa atividade, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo mantém um conjunto de políticas públicas voltadas à comercialização, assistência técnica, acesso ao crédito e desenvolvimento tecnológico.
Entre essas iniciativas está o Programa Paulista da Agricultura de Interesse Social (PPAIS), executado pelo Instituto de Terras do Estado de São Paulo (ITESP), vinculado à Secretaria, que estimula a produção da agricultura familiar ao conectar cooperativas e associações às compras institucionais realizadas pelo próprio Estado.
Por meio do programa, produtos da agricultura familiar passam a integrar o abastecimento de diferentes órgãos e equipamentos públicos, como escolas e outras instituições públicas estaduais. Dentro dessa política, o PPAIS Leite tem ganhado cada vez mais espaço nos últimos anos e hoje representa uma parcela significativa das aquisições do programa. Em 2025, a iniciativa movimentou R$ 29,7 milhões, dentro de um total de R$53,8 milhões registrados pelo PPAIS no período, o que evidencia o peso da cadeia leiteira nas compras institucionais do Estado. O valor médio pago aos produtores foi de R$4,26 por litro, acima das médias praticadas no mercado.
A evolução do programa ao longo dos últimos anos também evidencia o crescimento da participação do leite dentro do PPAIS. Em 2022, as aquisições somavam cerca de R$7,5 milhões, patamar que se manteve próximo em 2023 e 2024, até alcançar o volume atual. Para 2026, a previsão é que o PPAIS Leite chegue a aproximadamente R$50 milhões em aquisições, o que deve impulsionar o PPAIS para seu maior volume de compras desde a criação.
“A Secretaria de Agricultura e Abastecimento mantém um conjunto de políticas públicas voltadas ao fortalecimento da cadeia do leite, que incluem desde a comercialização da produção da agricultura familiar até assistência técnica, acesso ao crédito e desenvolvimento de novas tecnologias. São iniciativas complementares que ajudam os produtores a melhorar a produção, agregar valor e ampliar as oportunidades de mercado”, comenta o secretário de Agricultura e Abastecimento, Geraldo Melo Filho.
Para produtores e cooperativas, a iniciativa amplia as oportunidades de comercialização. O produtor rural Valdir de Souza, por exemplo, fornece leite in natura para a cooperativa Coapar, em Andradina, que processa o produto e o destina ao PPAIS na forma de leite em pó. Ao longo de sua trajetória na atividade, Valdir também contou com apoio técnico e orientação do ITESP, inclusive na aquisição dos animais. A cooperativa, presidida por Valdecir Pereira de Aquino, reúne produtores da região e integra o fornecimento ao programa. “É um programa que vem fortalecendo a renda das famílias e a vida no campo. Então ficamos muito felizes de ter um programa assim que atenda o nosso público”, afirma.

Além das políticas voltadas à comercialização, a Secretaria atua no fortalecimento da produção por meio da assistência técnica e da extensão rural. Desenvolvido pela Diretoria de Assistência Técnica Integral, o Projeto CATI Leite oferece acompanhamento técnico a propriedades leiteiras e promove capacitações voltadas à melhoria da gestão e da produtividade. Atualmente, cerca de 100 propriedades participam do projeto, com expectativa de que esse número se aproxime de 300 até 2026. Somente em 2025, eventos de capacitação do CATI Leite reuniram cerca de 850 produtores em diferentes regiões do Estado.
Em Urupês, no interior paulista, a trajetória da família Duarte ilustra os resultados do acompanhamento técnico oferecido pelo projeto. Éder Augusto Duarte e Eliete Roman Duarte iniciaram a atividade leiteira em 2017, com produção de cerca de 60 litros diários e pouca experiência na pecuária. Com apoio do programa, eles passaram a adotar orientações técnicas de manejo, gestão econômica da propriedade, melhorias nas pastagens e cuidados sanitários com o rebanho. O avanço na organização da produção permitiu ampliar a atividade e também agregar valor ao leite.
Hoje, a propriedade produz cerca de 250 litros de leite por dia, com parte do volume destinada à fabricação artesanal de queijos na Elied Queijaria, criada pela família. O trabalho já rendeu reconhecimento nacional, com premiações conquistadas em concursos especializados. “Para nós, como agricultores familiares, é um orgulho e também uma grande responsabilidade produzir leite e queijo de qualidade. Poder contar com o apoio da CATI na adoção das metodologias do CATI Leite foi determinante para que conseguíssemos nos estabelecer como produtores”, afirma Eliete Roman Duarte.

O acesso ao crédito também integra o conjunto de instrumentos voltados ao apoio da cadeia leiteira. Em 2025, o Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (FEAP) lançou a linha Leite Agro SP, destinada a investimentos produtivos na atividade. A iniciativa registrou mais de 70 operações contratadas, totalizando R$6 milhões. Os recursos podem ser utilizados em melhorias estruturais, aquisição de equipamentos e outras iniciativas voltadas ao desenvolvimento da produção.
Além da linha específica Leite Agro SP, o Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (FEAP) conta com um conjunto de linhas de crédito que também contribuem diretamente para o fortalecimento da pecuária leiteira no estado. Essas modalidades atendem diferentes perfis de produtores e permitem investimentos em infraestrutura, mecanização, melhoria genética do rebanho e adoção de tecnologias no campo.
Em Cerqueira César, no interior paulista, a produtora Fernanda Torres da Silva ilustra na prática os resultados desse apoio. Atuando há cerca de dez anos na bovinocultura leiteira, ela acessou, em 2024, uma linha de crédito do FEAP e investiu R$ 25 mil na aquisição de uma ordenha mecânica completa, equipada com quatro conjuntos de teteiras, sistema de pulsação eletrônica e estrutura em inox.

O investimento possibilitou a modernização do sistema de ordenha, reduzindo significativamente o tempo de trabalho e permitindo o manejo de um maior número de vacas em lactação. Além do ganho operacional, houve melhora na qualidade do leite, maior controle sanitário do rebanho e redução do risco de mastite, refletindo diretamente na valorização do produto comercializado, destinado a laticínios da região.
Antes do financiamento, a propriedade produzia cerca de 80 litros de leite por dia. Com a adoção da nova tecnologia e a reorganização do manejo, a expectativa é atingir aproximadamente 350 litros diários no segundo ano após o investimento, evidenciando o impacto direto do crédito na produtividade e na renda familiar.
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