
No passado, a tuberculose era conhecida como a doença dos poetas e boêmios. Atualmente, muitas pessoas ainda a veem como algo ‘do passado’. No entanto, apesar de amplamente conhecida e de possuir tratamento eficaz, a doença continua sendo recorrente na população brasileira. Neste Dia Mundial da Tuberculose, lembrado nesta terça-feira, 24, o Instituto de Promoção e de Assistência à Saúde de Servidores do Estado de Sergipe (Ipesaúde) alerta os beneficiários sobre a doença infecciosa mais letal do mundo, identificada em 1882.
Dados do Ministério da Saúde confirmam que a tuberculose permanece como um importante problema de saúde pública. No mundo, a cada ano, cerca de 10 milhões de pessoas adoecem, com mais de um milhão de óbitos anuais. No Brasil, são registrados mais de 84 mil novos casos por ano, com aproximadamente 6 mil mortes. Os números chamam a atenção, especialmente porque a doença tem cura quando o tratamento é realizado de forma adequada e até o fim.
Outro fator preocupante é o seu caráter infeccioso e transmissível. A tuberculose afeta principalmente os pulmões, mas também pode atingir outros órgãos. A forma extrapulmonar é mais frequente em pessoas vivendo com HIV, especialmente aquelas com comprometimento do sistema imunológico.
Além dos aspectos clínicos, fatores sociais ainda contribuem para o estigma associado à doença. O médico clínico geral João Matheus Nascimento, da Unidade Regional de Nossa Senhora das Dores, explica a origem desse preconceito. “Durante muitos anos a tuberculose foi erroneamente associada à pobreza, à má higiene, a condições de alimentação precária. E isso é mentira. Tuberculose é uma doença causada por uma bactéria que é transmissível e qualquer pessoa pode pode adquirir a doença”, afirma.
O preconceito, segundo ele, está diretamente ligado à desinformação. Por isso, a principal forma de prevenção é o acesso à informação. Medidas simples também contribuem para reduzir o risco de transmissão, como manter ambientes bem ventilados, com circulação de ar, e evitar aglomerações por longos períodos.
“Na infância, temos a vacina, que é a BCG, que ela nos proporciona uma proteção muito grande para as formas mais graves da tuberculose. Ao contrário do que muitos pensam, a tuberculose tem cura e o tratamento é gratuito. E com surgimento de qualquer sintoma, procure ajuda do médico de sua confiança, procure orientações e inicie o tratamento o mais precocemente possível”, completou o médico.
Educação em saúde
Para propagar orientações para os beneficiários, o Ipesaúde desenvolve o projeto ‘Sala de Espera’, que promove pequenas palestras para quem espera por atendimento nas unidades. Em Nossa Senhora das Dores, o tema da tuberculose foi trabalhado esse ano pelos profissionais que atuam na regional.
A beneficiária Luciene Santos relatou que já teve um familiar acometido pela doença, o que reforça sua atenção ao tema. “Meu cunhado começou com o que parecia ser uma gripe simples, mas depois foi diagnosticado com tuberculose e precisou ficar isolado. É muito importante fazer os exames. Ainda bem que existe tratamento e hoje ele está curado. É uma doença silenciosa, e a gente precisa se informar”, afirmou.
O coordenador da unidade, Hermison Costa, destacou a importância da regional para o atendimento descentralizado. “A unidade do Ipesaúde de Dores é importante para essa região, que descentraliza os serviços da capital. A gente evita que o paciente saia do seu território para a capital para realizar um serviço que é básico, simples, que pode ser realizado na regional. Isso é muito importante para o nosso beneficiário porque ele está em casa e pode realizar com mais praticidade esse procedimento”, salientou.



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