
O governo do Estado, por intermédio da Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo (SSPS) e da Polícia Penal, inaugurou, nesta quarta-feira (1/4), a ampliação do pavilhão de trabalho prisional e a requalificação da área administrativa do Presídio Estadual Feminino de Lajeado (PEFL), situado no Vale do Taquari. A iniciativa consolida o avanço das políticas estatais voltadas à ressocialização por meio do trabalho, com potencial de contratação de até 50% da população custodiada em regime fechado na unidade.
A intervenção estrutural ampliou a capacidade de inserção laboral das apenadas, elevando o número de vagas de 14 para 30 postos de trabalho. A ação integra o Programa Mãos que Reconstroem, política permanente e estruturante que articula qualificação profissional, atividade produtiva intramuros e remição de pena. Foram expandidas, sobretudo, as atividades voltadas à confecção de bolsas e calçados, desenvolvidas em parceria com a empresa Tomasi Calçados, terceirizada da Calçados Beira Rio.
Com área aproximada de 100 metros quadrados, o espaço passou por readequações físicas que possibilitaram a unificação de ambientes anteriormente fragmentados e destinados a outras finalidades. A nova configuração permitiu a instalação de maquinário completo da empresa, incluindo equipamentos de corte, costura e programação, esteira de produção, compressores de alta pressão para operação de prensas pneumáticas de soldagem e demais dispositivos utilizados na indústria calçadista.
O secretário de Sistemas Penal e Socioeducativo, Jorge Pozzobom, destacou que a inauguração é um passo consistente na qualificação do sistema penal e materializa um compromisso que orienta a atuação da SSPS. “Promovemos a ressocialização com base em oportunidades concretas, estruturadas e permanentes. Esta obra representa uma mudança de paradigma: investir em estrutura, habilitação e trabalho é investir em segurança pública. Quando oportunizamos caminhos legítimos de reconstrução de trajetórias, fortalecemos não apenas o sistema prisional, mas toda a sociedade”, reiterou.

Sobre a obra
As obras foram viabilizadas por investimento de R$ 400 mil, provenientes de editais das Varas de Execução Criminal de Lajeado, Estrela e Teutônia, evidenciando a integração entre o sistema de justiça e a administração penitenciária. A execução ficou sob responsabilidade da Construtora Rene P. Silva e Cia Ltda., que concluiu os serviços no prazo de seis meses.
A iniciativa contou, ainda, com a participação direta de apenados do Presídio Estadual de Lajeado, que atuaram na execução dos trabalhos por meio de mão de obra prisional vinculada a termo de cooperação firmado com o município, reforçando o caráter educativo e profissionalizante do labor no contexto da execução penal.
A solenidade de inauguração reuniu autoridades do Poder Executivo, representantes do sistema de justiça, integrantes da sociedade civil organizada, parceiros institucionais e veículos de comunicação da região.

Parceria com o setor calçadista
No PEFL, desde 2023, encontra-se vigente um termo de cooperação firmado com a empresa de calçados. A iniciativa foi inicialmente implantada no presídio masculino e, posteriormente, expandida, de forma complementar, à unidade feminina.
Em âmbito estadual, a Calçados Beira Rio deu início à utilização de mão de obra prisional em 2023, com a participação de 15 apenados. Atualmente, a empresa emprega aproximadamente 400 pessoas privadas de liberdade (PPLs), distribuídas em oito estabelecimentos prisionais, atuando na manufatura de calçados e bolsas.
No momento, a empresa se prepara para uma ampliação no Presídio de Arroio do Meio, com o financiamento do maquinário necessário para o funcionamento das linhas de montagem e produção com mão de obra carcerária.
Nova área administrativa
A requalificação da área administrativa proporcionará melhores condições de trabalho aos servidores, com previsão de atuação de oito profissionais no novo espaço – três analistas, três policiais penais e dois técnicos administrativos da Polícia Penal. A medida contribui diretamente para o aprimoramento da gestão e para a qualificação do atendimento institucional.

Com área total de 110 metros quadrados, o espaço dispõe de dois sanitários e abriga as salas da direção, de segurança e disciplina, do setor técnico e do setor administrativo, além de arquivo e de ambiente multiuso destinado à realização de reuniões e atividades de capacitação dos servidores.
A coordenadora de Departamentos da Polícia Penal, Samantha Longo, ressaltou que a iniciativa reafirma o compromisso da instituição com uma gestão moderna, eficiente e, sobretudo, humanizada do sistema prisional. “A ampliação das parcerias com o setor produtivo, como a estabelecida com a empresa calçadista, representa uma estratégia concreta de promoção da dignidade e da reintegração social das PPLs, por meio do trabalho e da qualificação profissional. Da mesma forma, a requalificação da área administrativa traduz nosso zelo com as condições de trabalho dos servidores, que desempenham função essencial à segurança pública e à garantia de direitos no ambiente prisional. Ao investirmos em infraestrutura adequada e em organização institucional, fortalecemos não apenas a gestão, mas também a qualidade dos serviços prestados à sociedade.”
Capacitação e ressocialização
O modelo de cooperação entre o Estado e o setor privado tem se mostrado eficaz para a ressocialização das PPLs e para o fortalecimento do mercado de trabalho, que se beneficia com a formação de profissionais qualificados em setores com escassez de mão de obra. Por meio desses termos de cooperação, os apenados recebem até 75% do salário-mínimo nacional e direito à remição de um dia de pena a cada três trabalhados, conforme previsto na Lei de Execução Penal (LEP).
A representante do Departamento Técnico e de Tratamento Penal (DTTP), Fernanda Dias, afirmou que o número de empresas interessadas em aderir a programas de trabalho prisional tem crescido de forma significativa. “Cada vez mais entidades reconhecem o valor social e produtivo dessa iniciativa. Além de contribuir para a capacitação profissional dos apenados, o programa prepara essas pessoas para o retorno ao mercado formal de trabalho, fortalecendo vínculos familiares e comunitários. Ele devolve rotina, disciplina e propósito ao apenado, além de promover autonomia e protagonismo para uma nova vida em liberdade”, observou.
Expansão e repercussão da sociedade
Atualmente, o sistema prisional gaúcho conta com atividades laborais, remuneradas ou não, em todas as 113 unidades do Estado. Até fevereiro de 2026, quase 40% da população prisional de apenados em regime aberto, semiaberto ou fechado exerciam alguma modalidade de trabalho, totalizando 16,1 mil pessoas.
De acordo com o DTTP, 2.920 PPLs atuam por meio de termos de cooperação com empresas, instituições e órgãos públicos, abrangendo atividades de serviços gerais, limpeza, manutenção e construção civil. Cerca de 70 prefeituras mantêm parcerias ativas com o sistema prisional.
O incentivo ao trabalho prisional tem refletido em avanços expressivos desde 2019, quando havia 12.217 pessoas trabalhando, das quais 1.191 recebiam. Se comparados os dados com fevereiro de 2026, o aumento de remunerados foi de aproximadamente 145,17%.
Texto: Andréia Moreno/Ascom Polícia Penal
Edição: Secom
Mato Grosso do Sul Minha Casa, Minha Vida: Agehab recebe inscrições para interessados em moradia em condomínio sustentável
ALEMA ‘Diário da Manhã’ aborda os 18 anos da Lei Seca e medidas da PRF para coibir infrações
São Paulo Moradores da comunidade na Zona Sul de SP recebem água tratada e coleta de esgoto
São Paulo Livros esquecidos na estante? Feira na Faculdade de Educação da USP promove troca de exemplares
Acre Governo do Acre realiza avaliação do Caica para aprimorar atendimento a crianças e adolescentes vítimas de violência
Câmara de Dourados Pedro Pepa sugere QR Code nos abrigos de transporte público Mín. 14° Máx. 25°