
Uma gestante de 19 semanas com diagnóstico de síndrome de transfusão feto-fetal, condição rara e grave que ameaça a vida de gêmeos durante a gravidez, passou por cirurgia fetal de alta complexidade no AME Mulher, unidade da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) , na capital. O procedimento foi realizado no dia 13 de abril e foi concluído com sucesso.
A intervenção, considerada de alta complexidade, foi conduzida pela equipe de medicina fetal liderada pelo especialista do AME, Maurício Saito, referência na área, após o diagnóstico. A cirurgia foi bem-sucedida e a paciente continuará o acompanhamento na unidade até a realização do parto.
A síndrome de transfusão feto-fetal ocorre em gestações gemelares em que os fetos compartilham a mesma placenta. Nesses casos, pode haver um desequilíbrio na circulação sanguínea entre os bebês, fazendo com que um receba mais sangue do que o outro. Sem tratamento, a condição pode levar a complicações graves e até à morte fetal.
De acordo com o diretor de Obstetrícia do AME, Rodrigo Rovai, o resultado positivo do procedimento está relacionado ao planejamento assistencial, à organização dos fluxos e à atuação integrada entre os profissionais envolvidos.
“A realização do procedimento marca um avanço na capacidade da unidade para atender casos complexos na rede pública, ampliando o acesso a tratamentos especializados e aumentando as chances de desfechos positivos para mães e bebês”, afirmou Cynthia Parras, diretora técnica da Maternidade Leonor Mendes de Barros.
A adoção de técnicas modernas de medicina fetal no SUS reduz complicações em gestações de alto risco e evidencia a importância da integração entre os serviços para garantir um cuidado mais seguro e eficiente.
A Síndrome de Transfusão Feto-Fetal (STFF) é uma complicação que pode ocorrer em gestações de gêmeos idênticos que compartilham a mesma placenta. Nesses casos, há uma ligação anormal entre os vasos sanguíneos, fazendo com que o sangue seja distribuído de forma desigual entre os bebês.
Com isso, um dos fetos passa a doar sangue, enquanto o outro recebe em excesso. Esse desequilíbrio pode prejudicar o desenvolvimento dos dois: o doador tende a ter menos líquido amniótico e crescimento comprometido, enquanto o receptor pode sofrer com sobrecarga no coração e excesso de líquido.
O problema costuma ser identificado por ultrassonografia, geralmente no segundo trimestre da gestação. Sem tratamento, há risco elevado de parto prematuro e até de morte dos fetos. Entre os principais sinais estão o aumento rápido da barriga da gestante, ganho de peso acelerado e contrações antes do tempo esperado.
O AME Mulher é o primeiro Ambulatório Médico de Especialidade do Estado dedicado exclusivamente à saúde feminina. Localizado no Hospital Maternidade Leonor Mendes de Barros, a unidade oferece atendimento especializado, estrutura moderna e uma equipe multiprofissional preparada para cuidar da mulher de forma integral.
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