

Enfermeiro obstetra, Amadeu acompanha os batimentos cardíacos do bebê, contração e movimentos fetais na hora próxima do parto
O cuidado durante o parto vai além dos procedimentos técnicos. Ter alguém por perto para orientar, aliviar a dor, ouvir os medos e respeitar as escolhas da mulher também faz parte de uma assistência humanizada. No Hospital Municipal Esaú Matos, em Vitória da Conquista, esse cuidado ganhou reforço em novembro de 2025, com a chegada de novos enfermeiros obstetras à equipe da maternidade, por meio de seleção.
Mantido pela Fundação Pública de Saúde de Vitória da Conquista (FSVC), o Esaú Matos é a única maternidade pública do Sistema Único de Saúde (SUS) no município e atende mulheres de Vitória da Conquista e de diversas cidades da região. Atualmente, cinco enfermeiros obstetras atuam na unidade, com cobertura assistencial durante 24 horas, fortalecendo a assistência e garantindo maior suporte às mulheres durante o trabalho de parto e o nascimento. Desde o início dessa atuação, os enfermeiros obstetras já realizaram 1.110 partos, demonstrando a relevância de sua contribuição para o serviço.
Na prática, o trabalho começa antes mesmo de o bebê nascer. Durante o plantão, o enfermeiro obstetra Amadeu Ribeiro de Farias percorre os boxes do pré-parto para avaliar as gestantes, acompanhar as condições de saúde da mãe e do bebê e identificar em que fase do trabalho de parto cada mulher se encontra.
“Faço a entrevista com todas as gestantes e avalio as condições de cada uma para o parto”, explica Amadeu. A avaliação inclui a verificação dos sinais vitais da mulher, a ausculta dos batimentos cardíacos fetais e o acompanhamento da evolução do trabalho de parto. A partir dessas informações, a equipe pode organizar a assistência de acordo com as necessidades de cada paciente.
Movimento, acolhimento e respeito às escolhas
Quando o trabalho de parto avança, o enfermeiro obstetra também pode utilizar métodos não farmacológicos para ajudar no alívio da dor e favorecer a evolução do nascimento. Entre eles estão os exercícios de mobilidade pélvica, as mudanças de posição e o uso da bola obstétrica, sempre considerando as condições clínicas e as necessidades da mulher.
Amadeu explica que essas estratégias ajudam a tornar o processo mais confortável e permitem que a gestante participe ativamente desse momento. A proposta é evitar que o parto seja conduzido de maneira padronizada, sem considerar as particularidades de cada mulher.
“Quando o bebê está próximo de nascer, converso com a mãe sobre a posição em que ela prefere parir. A mulher precisa ter a oportunidade de expressar suas escolhas. Não se trata de colocá-la em uma cama ou em determinada posição porque é mais conveniente para a equipe, mas de oferecer condições para que ela tenha conforto e segurança durante o nascimento”, destaca o enfermeiro.
O respeito à autonomia, no entanto, caminha junto com a segurança assistencial. Cabe ao profissional acompanhar a evolução do parto, reconhecer possíveis intercorrências e atuar de forma integrada com a equipe médica sempre que necessário.

Diva Arruda
Para a coordenadora de Enfermagem, Diva Arruda, a presença desses profissionais representa um avanço importante na qualificação da assistência obstétrica, no fortalecimento da humanização do parto e na ampliação da capacidade de atendimento à população. “O enfermeiro obstetra é capacitado para acompanhar o trabalho de parto, avaliar sua evolução, assistir ao parto dentro de suas competências legais, identificar precocemente possíveis intercorrências e atuar de forma integrada com a equipe médica. Sua presença também favorece a adoção de boas práticas baseadas em evidências científicas, o uso de métodos não farmacológicos para alívio da dor e a promoção do protagonismo da mulher durante o nascimento”, afirma Diva.
A coordenadora ressalta ainda que a humanização envolve mais do que conhecimento técnico. “Envolve empatia, escuta, acolhimento e respeito. A mulher em trabalho de parto precisa de segurança, mas também de alguém que a oriente, compreenda seus medos, respeite suas escolhas e ofereça apoio em um dos momentos mais marcantes de sua vida”, reforça Diva. Assim, a atuação desses profissionais soma competências à equipe e fortalece o cuidado integral à mulher e ao recém-nascido.

Ceres Almeida, diretora-geral da Fundação
Segundo a diretora-geral da FSVC, Ceres Almeida, há o compromisso de avançar continuamente na construção de um modelo de atenção que una conhecimento científico, segurança, responsabilidade e sensibilidade humana. “Queremos que cada mulher seja tratada não apenas como mais um atendimento na rotina da maternidade, mas como protagonista do seu próprio parto. Investir na enfermagem obstétrica é investir em saúde pública, na valorização profissional e no direito das mulheres a um nascimento seguro, digno e humanizado. Esse é o compromisso do Hospital Municipal Esaú Matos com Vitória da Conquista e com toda a população regional atendida pela maternidade”.
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