
O Governo de São Paulo recuperou mais de R$ 118,5 milhões vindos do crime organizado desde a implementação do programa Recupera SP, em 2024. A estratégia faz parte das ações de combate ao crime organizado com ações voltadas a enfraquecer a estrutura financeira, logística e operacional das organizações criminosas. A atuação combina recuperação de ativos, uso de tecnologia, integração entre instituições, reforço do efetivo policial e modernização das forças de segurança.
Uma das frentes é a descapitalização das organizações criminosas. Desde o início da atual gestão, as ações das forças de segurança impuseram prejuízo estimado em mais de R$ 3,2 bilhões ao crime organizado. A lógica é atingir não apenas a ponta da atividade criminosa, mas também os recursos que sustentam operações de tráfico, lavagem de dinheiro, receptação, roubo de cargas e outros crimes .
Nesse contexto, a iniciativa Recupera SP passou a permitir que valores, ativos e bens retirados do crime sejam revertidos para a própria segurança pública . O Estado já atuou na recuperação de R$ 118,5 milhões, dos quais R$ 24,5 milhões estão disponíveis em conta e R$ 2,4 milhões em bens foram incorporados. Os recursos podem ser usados para reforçar a estrutura das polícias, com compra de viaturas, armamentos, equipamentos e tecnologias.
Regulamentado em 2024, o Recupera SP organiza a destinação de valores, bens e direitos perdidos em favor do Estado, especialmente em casos associados à lavagem de dinheiro. A medida cria um caminho para que recursos apreendidos em investigações retornem à sociedade na forma de investimentos em segurança.
A estratégia também passa por outras frentes de recuperação econômica. O Gaerfis SP, grupo que reúne a Procuradoria Geral do Estado e a Secretaria da Fazenda e Planejamento, atua contra esquemas estruturados de fraude fiscal e sonegação. Em um dos casos, decisões judiciais determinaram a penhora de combustíveis com valor estimado em mais de R$ 500 milhões para recuperação de crédito tributário estadual.
O combate ao crime organizado também tem sido feito por meio de operações integradas com outras instituições de investigação e controle. A atuação conjunta com órgãos como Polícia Federal, Ministério Público e Gaeco amplia a capacidade de cumprir mandados, desarticular redes criminosas e alcançar estruturas que vão além da ação direta nas ruas.
Essa integração permite atacar diferentes etapas das cadeias criminosas: a circulação de drogas e armas, a lavagem de dinheiro, a receptação, o roubo de cargas e os esquemas empresariais usados para ocultar patrimônio ou financiar atividades ilícitas.
No centro da capital, o combate ao crime organizado tem sido conduzido com ações de inteligência policial, reassentamento habitacional, requalificação urbana e atendimento social. Desde 2023, o Governo de São Paulo ampliou operações para desarticular redes que usavam imóveis, comércios, hospedarias e áreas vulneráveis como pontos de apoio à distribuição de drogas, lavagem de dinheiro, receptação e controle de moradores.
A atuação na região da Favela do Moinho é um exemplo dessa estratégia. Investigações apontaram o uso da área como ponto de apoio à logística do tráfico. Em setembro de 2025, a Operação Sharpe, conduzida pelas Polícias Civil e Militar em conjunto com o Gaeco, cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão na região para desarticular uma organização criminosa responsável por comandar o tráfico de drogas no centro.
A resposta do Estado combinou ação policial, atendimento habitacional pela CDHU e planejamento urbano, com a proposta de transformar a área no futuro Parque do Moinho. Essa frente se soma às ações realizadas nas antigas Cenas Abertas de Uso da região central, com integração entre segurança, saúde e assistência social para reduzir a atuação do tráfico e ampliar o atendimento a pessoas em situação de vulnerabilidade.
Combinadas, as medidas buscam reduzir a capacidade de financiamento, circulação e reorganização do crime organizado. A prioridade é transformar o combate ao crime em uma ação permanente de inteligência, tecnologia e recuperação econômica, além da atuação policial direta.
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