
O Pronto Atendimento em Saúde Mental (Pasm), que funciona no Complexo Hospitalar de Mangabeira (CHM), registrou mais de 4,2 mil atendimentos no período entre janeiro e junho deste ano, segundo balanço do primeiro semestre. O resultado reforça a importância da unidade como referência no atendimento às urgências e emergências psiquiátricas na Capital, com assistência 24 horas voltada a pessoas em sofrimento psíquico agudo. Funciona como serviço de referência e contrarreferência da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), das cidades de João Pessoa, Cabedelo, Conde, Bayeux e Santa Rita.


A saúde mental tem se tornado um desafio de saúde pública cada vez mais urgente. De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde, cerca de 700 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos no mundo. Diante dessa realidade, o acolhimento e o tratamento precoce surgem como ferramentas essenciais para salvar vidas e garantir qualidade de vida aos pacientes. Além disso, milhões de pessoas convivem com transtornos mentais que, quando identificados e tratados precocemente, apresentam melhores perspectivas de recuperação e qualidade de vida.
No primeiro semestre, o Pasm manteve uma média geral de 702 acolhimentos por mês, o que representa cerca de 23 novos atendimentos por dia. O principal volume absoluto de acessos ocorreu por meio da Demanda Espontânea, responsável por 3.783 pacientes (cerca de 89,8% do fluxo total), englobando quem busca ajuda por conta própria, levado por familiares ou pessoas em situação de rua. Além disso, as linhas de apoio pré-hospitalar, como o Samu-JP e o Corpo de Bombeiros, conduziram 386 pacientes em crise aguda para a unidade. O balanço também apontou o mês de março como o período de maior sobrecarga física, atingindo o pico de 790 acolhimentos.
Segundo a coordenadora do Pasm, Maria Alexina Bezerra Cavalcanti Pires, os resultados do primeiro semestre evidenciam a importância de manter uma rede de saúde mental fortalecida e integrada. “Esse fluxo contínuo e elevado gera uma pressão natural sobre a nossa infraestrutura e justifica a nossa busca por manutenção e adequação constantes do espaço físico. Nosso compromisso primordial é assegurar que esse primeiro atendimento emergencial, tanto para quem chega espontaneamente quanto para quem é trazido pelo Samu, seja sempre digno, seguro e humanizado para quem enfrenta o sofrimento agudo”, ressaltou.
O Pronto Atendimento atua como uma das portas de entrada para casos de urgência na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), com foco no alívio de crises em curto prazo. A unidade não possui leitos psiquiátricos, ela dispõe de leitos de observação onde o paciente pode permanecer por até 72 horas para estabilização clínica. Após o acolhimento imediato e o controle da crise, os pacientes são encaminhados para os serviços da RAPS, Policlínicas, Ambulatórios ou Programa Saúde da Família (PSF) para dar continuidade ao tratamento. Se houver necessidade de uma internação psiquiátrica, o paciente será encaminhado via regulação para o Complexo Hospitalar Juliano Moreira.
Entre os atendimentos realizados pela unidade estão casos de surtos psicóticos, crises de ansiedade e depressão, tentativas de suicídio, descompensações de transtornos mentais e situações relacionadas ao uso ou abstinência de álcool e outras drogas. O serviço conta com uma equipe multiprofissional garantindo assistência humanizada.
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