
O Instituto Cândida Vargas (ICV), que faz parte da rede hospitalar da Prefeitura de João Pessoa, realizou, na manhã desta quarta-feira (14), o parto de quadrigêmeos de Fataumata Oumou Baradfi, de 30 anos, natural de Bamako, na África. O procedimento, que foi o primeiro da maternidade, mobilizou uma equipe multidisciplinar e uma estrutura especializada para garantir assistência à mãe e aos quatro recém-nascidos.
O parto mobilizou a equipe multidisciplinar do ICV, com a participação de 9 médicos, 6 enfermeiros e 6 técnicos de enfermagem, totalizando 21 profissionais nesses três grupos. A assistência contou com especialistas em obstetrícia, neonatologia e anestesia, além de profissionais de apoio, que atuaram de forma integrada para garantir os cuidados necessários à mãe e aos quatro recém-nascidos prematuros.
Os bebês nasceram com boas condições clínicas iniciais, receberam nota nove na avaliação de vitalidade neonatal e seguem sob acompanhamento especializado. Dois estão na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal e outros dois recebem cuidados na unidade de cuidados intermediários. A mãe permanece na UTI materna para monitoramento preventivo.
“A realização do primeiro parto de quadrigêmeos da história do Instituto Cândida Vargas demonstra a capacidade técnica da nossa Rede Municipal de Saúde e o compromisso dos profissionais com uma assistência humanizada, segura e de qualidade. Um nascimento como esse exige planejamento, estrutura especializada e atuação integrada de diferentes áreas. Nossa prioridade é garantir todo o suporte necessário à mãe e aos quatro bebês, com acompanhamento contínuo e cuidados individualizados”, destacou o secretário de Saúde de João Pessoa, Luis Ferreira.




De acordo com a coordenadora da neonatologia, a médica Juliana Soares, os recém-nascidos precisam de atenção contínua por causa da prematuridade. “Os bebês nasceram bem e ativos, mas, por serem prematuros, precisam de acompanhamento intensivo. Eles estão recebendo suporte respiratório e sendo monitorados de perto para que possamos identificar qualquer alteração e agir rapidamente”, explicou.
A equipe também iniciou a ordenha do leite materno poucas horas após o parto, com o objetivo de favorecer a alimentação dos quatro bebês com o leite da própria mãe, conforme a evolução clínica de cada um.



A diretora técnica do Instituto Cândida Vargas, Dra. Tatiana Viana Fragoso Vieira, destacou que a assistência foi organizada antecipadamente, considerando a complexidade da gestação e a possibilidade de nascimento prematuro. O planejamento incluiu mobilização de especialistas, reserva de leitos de UTI materna e neonatal e preparação do banco de sangue para eventuais intercorrências.
“Quando ela completou 30 semanas, nós a readmitimos por uma questão de cuidado. Precisávamos garantir a reserva de leitos para quatro crianças prematuras, porque sabíamos que o parto poderia acontecer a qualquer momento. Mobilizamos a equipe multidisciplinar e toda a estrutura necessária para esse atendimento”, explicou a diretora técnica.
A paciente chegou ao Instituto com registros limitados do acompanhamento pré-natal. O primeiro atendimento ocorreu em 8 de setembro, quando passou a receber assistência pelo Sistema Único de Saúde (SUS).


A história da paciente também é marcada pelo acolhimento familiar. Após chegar ao Brasil, Fataumata contou com o apoio da prima, Mamacila, residente em João Pessoa, para procurar atendimento médico e acompanhar a gestação.
Mamacila relatou que a descoberta de quatro bebês foi uma surpresa para a família. A paciente já tinha dois filhos e, com o nascimento dos quadrigêmeos, passará a ser mãe de seis crianças.
“Ela veio da África e está morando comigo. Quando soubemos da gestação, procuramos atendimento para que ela recebesse os cuidados necessários. Foi uma surpresa descobrir que eram quatro bebês. Estamos acompanhando tudo e esperamos que eles cresçam bem”, relatou a prima.
A familiar também tem acompanhado a paciente durante a internação e colaborado com a equipe no processo de estímulo à ordenha do leite materno. Os nomes dos quatro recém-nascidos ainda serão definidos pela família.


O diretor administrativo do ICV, Marcelo Melo, ressaltou a capacidade da unidade para organizar o atendimento e mobilizar profissionais de diferentes especialidades. “Um parto dessa complexidade exige planejamento, estrutura e integração entre as equipes. O Instituto Cândida Vargas mobilizou os profissionais e organizou os recursos necessários para oferecer assistência à mãe e aos quatro bebês, reforçando nosso compromisso com um atendimento público humanizado e de qualidade”, pontuou.
A mãe permanece na UTI materna para monitoramento da pressão arterial e prevenção de possíveis complicações, como hemorragia pós-parto. Segundo Juliana Soares, a medida faz parte dos cuidados preventivos necessários após uma gestação múltipla e não significa, necessariamente, agravamento do quadro clínico.
O Instituto Cândida Vargas segue acompanhando a evolução clínica dos recém-nascidos e a recuperação materna, com assistência especializada e monitoramento contínuo.
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