
A emoção de acompanhar a imagem de Nossa Senhora de Nazaré, sentir a força da fé e participar de uma das maiores manifestações religiosas do Pará ganhou um significado ainda mais especial para famílias que enfrentam diariamente os desafios da deficiência. Entre orações, lágrimas e gestos de carinho, aRomaria da Acessibilidade do Círio 2026reuniu pessoas com deficiência, familiares e voluntários em uma demonstração de que a fé também precisa ser vivida com respeito, acolhimento e inclusão.
Realizada na manhã deste sábado (24), em Belém, a Romaria da Acessibilidade do Círio 2026 foi conduzida pelo arcebispo emérito da Arquidiocese de Belém, Alberto Taveira.A procissão saiu da Praça Santuário de Nazaré, seguiu pela avenida Generalíssimo Deodoro, passou pelas ruas Brás de Aguiar e Quintino Bocaiúva e continuou pela avenida Nazaré, retornando à Praça Santuário.Durante o percurso, a Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Inclusão e Acessibilidade (Semiac) e da Secretaria Executiva da Primeira Infância e Desenvolvimento Infantojuvenil (Sepidi), participou de uma ação integrada com o Governo do Estado e a Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Pará (OAB-PA), oferecendo recursos gratuitos para tornar a participação dos romeiros mais acessível e segura.



A distribuição de abafadores de ruído, água, placas de Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA), pulseiras de identificação e orientações às famíliasfez parte das atividades. As equipes também disponibilizaram mapas ampliados do percurso e prestaram suporte durante a caminhada, com atenção especial às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), deficiência intelectual, paralisia cerebral, hipersensibilidade auditiva e outras necessidades específicas.

Entre os participantes estava Amélia Xerfan, de 62 anos, psicóloga e integrante da organização da romaria. Moradora do bairro de Nazaré, ela acompanha hátrês anos a procissão ao lado do filho, Reinaldo, de 37 anos, que tem paralisia cerebral. Para ela, participar desse momento é uma oportunidade derenovar a fée mostrar que as pessoas com deficiência também têm odireito de viver plenamente as tradições religiosas.

A presença das famílias reforça a importância de iniciativas que considerem as necessidades de cada pessoa durante eventos com grande concentração de público. O excesso de ruídos, a circulação intensa de pessoas e as dificuldades de comunicação podem tornar o trajeto desafiador, especialmente para quem precisa de apoio sensorial ou de recursos específicos para expressar suas necessidades.


Moradora do Bengui, Liliane Batista, de 41 anos, também viveu a romaria ao lado da filha, Melinda Batista, de 7 anos, que tem paralisia cerebral. Para ela, a possibilidade de participar da celebração comapoio e acolhimento representa mais do que assistência: significa ter o direito de compartilhar com a filha um momento de fé e pertencimento.

A emoção também acompanhou Gabriela Souza, de 29 anos, e o marido, Wladson Souza, de 39, auxiliar administrativo. Moradores de Ananindeua, eles participam da romaria há três anos com as filhas Ana Gabriele, de 11 anos, e Maitê, de 7 anos, que têm paralisia cerebral e autismo, conforme informado pela família.

Para o casal, a experiência de acompanhar a procissão representa uma oportunidade de fortalecer a fé e proporcionar às meninas momentos deconvivência e participação social. O acesso a recursos de acessibilidade contribui para que a família percorra o trajeto com mais tranquilidade.

A iniciativa também beneficiou pessoas que enfrentam condições de saúde que podem dificultar o deslocamento durante longas caminhadas. Moradora do Tapanã, Rosana Almeida, de 58 anos, convive com lombalgia crônica e participou da procissão movida pela devoção a Nossa Senhora de Nazaré.
A atuação conjunta das secretarias municipais buscou aproximar os serviços públicos dos participantes, garantindo orientação e apoio ao longo da procissão. As equipes itinerantes percorreram o trajeto oferecendorecursos de acessibilidade, enquanto um ponto fixo de atendimento foi instalado na tenda da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), em frente ao Tribunal de Contas do Estado (TCE).
No local, os romeiros tiveram acesso àágua,mapas ampliados,orientaçõeseapoio para encaminhamento a atendimento médico, quando necessário. Osabafadores de ruídoforam disponibilizados por empréstimo para ajudar pessoas comhipersensibilidade auditiva a lidar com os sons intensos da procissão.


As placas de Comunicação Aumentativa e Alternativa auxiliam pessoas com dificuldade de comunicação verbal a expressar necessidades como pedir água, indicar desconforto, solicitar ajuda ou informar que precisam descansar.
A ação também incluiu aidentificação preventiva de crianças e adolescentes por meio de pulseiras com informações de contato dos responsáveis, uma medida importante para facilitar o reencontro familiar em caso de desencontro durante a movimentação de pessoas.

A secretária municipal da Primeira Infância e Desenvolvimento Infantojuvenil, Juliana Menezes, destacou a importância da integração entre as instituições para ampliar a segurança e a participação das famílias.
Além dos recursos de apoio durante a caminhada, a Prefeitura de Belém distribuiu umacartilha informativa sobre os direitos das pessoas com deficiência, elaborada pela Semiac na gestão do prefeito Igor Normando. O material reúne informações sobre direitos previstos nas legislações nacionais, estaduais e municipais, com o objetivo de ampliar o acesso da população ao conhecimento e aos serviços disponíveis.
A iniciativa buscademocratizar o acesso à informaçãoe contribuir para que as pessoas com deficiência, seus familiares e cuidadores conheçam os mecanismos deproteção,inclusão e participação socialgarantidos por lei.
A secretária municipal de Inclusão e Acessibilidade, Ariela Motizuki, enfatizou que a acessibilidade éessencialpara garantir que todas as pessoas possam participar dasmanifestações culturais e religiosas de Belém.


A secretária também ressaltou a importância dos recursos de tecnologia assistiva disponibilizados durante a procissão.
A Romaria da Acessibilidade integra as ações voltadas à promoção dos direitos das pessoas com deficiência e ao fortalecimento de uma cultura de respeito à diversidade. A iniciativa reuniu a Coordenação Estadual de Políticas para o Autismo (CEPA), a Coordenação Estadual da Pessoa com Deficiência (CEPED), a Semiac, a Sepidi e a OAB-PA, além de voluntários mobilizados pelo Programa de Voluntariado da Sepidi.
Mais do que oferecer recursos durante a procissão, a ação reforça a importância de eliminar barreiras que dificultam a participação das pessoas com deficiência nos espaços públicos, culturais e religiosos.
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