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Profissionais do Hospital da Restauração discutem tratamento de pacientes com fraturas na face

A maioria dos pacientes internados no setor, no HR, são vítimas de sinistros com motocicletasProfissionais do Hospital da Restauração (HR) Gov. Pau...

07/05/2026 às 12h55
Por: Redação Fonte: Sec. de Saúde de Pernambuco
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Foto: Reprodução/Sec. de Saúde de Pernambuco
Foto: Reprodução/Sec. de Saúde de Pernambuco

A maioria dos pacientes internados no setor, no HR, são vítimas de sinistros com motocicletas

Profissionais do Hospital da Restauração (HR) Gov. Paulo Guerra se reuniram para discutir o tratamento de pacientes com fraturas na face. O assunto foi discutido durante reunião anátomo-clínica do Programa de Residência em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial (CTBMF) na instituição, que é uma das referências da Secretaria de Saúde de Pernambuco na especialidade e também unidade sentinela para acidentes de transporte terrestre. A fratura no assoalho orbitário (região localizada abaixo dos olhos) é uma das consequências da violência no trânsito, cujo assunto é destaque durante o Maio Amarelo – movimento de conscientização para a redução de sinistros e mortes no trânsito.

De acordo com a dentista Edla Pereira, que é residente de CTBMF do HR, é um tipo de trauma que precisa ser identificado com precisão, através dos exames físico e de imagem, para atenuar as sequelas dos pacientes. “Aqui no HR, destacamos a grande presença de fraturas impuras, isto é, fraturas de assoalho associadas às fraturas de margens orbitárias. Por isso, vale destacar a complexidade do tratamento desses pacientes, uma vez que quanto mais ossos envolvidos, mais difícil é o manejo do caso”, explica Edla.

O HR registrou, até meados de abril, 930 notificações de atendimentos a vítimas de sinistros envolvendo motocicletas. A equipe de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial realizou 212 procedimentos cirúrgicos, dos quais 182 cirurgias foram em pacientes que estavam de moto. Segundo o chefe da Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, Carlos Lago, a maioria dos leitos é ocupado por vítimas de ocorrências envolvendo motocicletas. “São pacientes que normalmente são politraumatizados, que precisam ser acompanhados também por neurocirurgiões e ortopedistas/traumatologistas, e, devido à gravidade, passam muito tempo em tratamento no hospital”, afirma o cirurgião.

Foto: Reprodução/Sec. de Saúde de Pernambuco
Foto: Reprodução/Sec. de Saúde de Pernambuco

Dados do primeiro trimestre de 2026, do Sistema de Informação de Acidentes de Transporte Terrestre, da Secretaria de Saúde de Pernambuco, mostram que o uso incorreto ou ausência do capacete e a ingestão de bebida alcoólica pelo condutor estão entre os principais fatores, correspondendo a cerca de 40% dos casos.

Nas enfermarias do Hospital da Restauração, esses casos – muito comuns – ganham rostos. Um deles é o de Marcos Santos, de 24 anos, vítima de um sinistro de trânsito quando pilotava uma moto na última semana de abril, no bairro da Várzea, no Recife. “Ando de moto desde os meus 12 anos e nunca tinha sofrido um acidente. Na batida, o capacete rachou”, relata, ainda com dificuldade para falar devido ao edema no rosto. Praticamente vizinhos de leitos, a história de Marcos se parece com a de Tiago Vieira, de 29 anos, também vítima de queda de motocicleta, em Itambé, na Zona da Mata Norte de Pernambuco. “Já era de noite, estava escuro e eu caí da moto, entre dois caminhões. O capacete voou”, relembra. Os dois pacientes passarão por cirurgia para corrigir as fraturas de face.

A especialista em Cirurgia Bucomaxilofacial, Suzana Carneiro, chama atenção para o não uso dos equipamentos de proteção, que são obrigatórios. “A gravidade dos casos que chegam à emergência do HR está diretamente relacionada ao desrespeito da legislação. São pacientes que pilotam sob efeito de álcool, que não utilizam o capacete ou, quando utilizam, não afivelam o equipamento como deve ser”, explica.


MAIO AMARELO – O tema oficial da 13ª edição do Movimento Maio Amarelo é “No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas”, que tem como objetivo promover uma integração entre o Poder Público e a sociedade civil. A campanha de 2026 chega em um momento em que o Brasil enfrenta um cenário crítico no trânsito, especialmente pela alta vulnerabilidade dos motociclistas, que hoje representam uma parcela crescente dos deslocamentos urbanos e das vítimas de sinistros.

Fotos: Manoel Filho/HR/SES-PE

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