
A Prefeitura de João Pessoa instalou, nesta segunda-feira (14), a primeira Estação Disseminadora de Larvicidas (EDL) da Capital, no bairro Jardim Veneza. A tecnologia, implantada pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), por meio da Gerência de Vigilância Ambiental (GVAM), utiliza o próprio comportamento da fêmea do Aedes aegypti para levar o larvicida a possíveis criadouros do mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya.
A instalação marca o início de uma nova etapa no trabalho de controle do Aedes aegypti em João Pessoa, com a implantação das EDLs fornecidas pelo Ministério da Saúde. A estratégia começou pelo Distrito Sanitário I e será ampliada gradualmente para outros pontos estratégicos de toda a Capital, conforme o mapeamento e o acompanhamento realizados pela Vigilância Ambiental. A iniciativa integra um conjunto de ações de monitoramento do mosquito que já conta com 625 ovitrampas distribuídas pelo município, utilizadas para acompanhar a presença do Aedes aegypti e a postura de ovos em diferentes áreas da cidade.
Segundo a gerente de Vigilância Ambiental de João Pessoa, Juliana Trigo, a nova tecnologia amplia as ferramentas utilizadas no monitoramento e controle do Aedes aegypti e dá continuidade ao trabalho que já vem sendo desenvolvido na cidade.
“João Pessoa vem avançando no trabalho de monitoramento do Aedes aegypti, especialmente com a ampliação das ovitrampas. Agora, o Ministério da Saúde está fornecendo mais de 800 Estações Disseminadoras de Larvicidas para o município, e nós iniciamos hoje a implantação. Vamos seguir instalando as EDLs em vários pontos estratégicos da Capital. Com o mosquito a gente vai conviver sempre, então precisamos estar sempre fazendo a prevenção e utilizando as ferramentas que o Ministério da Saúde disponibiliza. Estamos tendo essa oportunidade e vamos ampliar esse trabalho em toda João Pessoa”, afirma Juliana Trigo.
A primeira estação foi instalada na Rua José Lourenço Pereira, em um ferro-velho industrial, classificado pela Vigilância Ambiental como ponto estratégico. O local foi escolhido após um estudo da área, levando em consideração o grande volume de recipientes e materiais que podem acumular água e criar condições favoráveis para a reprodução do mosquito.
“As EDLs serão instaladas em pontos estratégicos de João Pessoa, como cemitérios, rodoviárias, sucatas e ferros-velhos, onde existe maior acúmulo de recipientes e materiais que podem armazenar água. Esse trabalho vai ajudar tanto os agentes de combate às endemias quanto os responsáveis por esses imóveis, para evitar o acúmulo de água e reduzir o risco de proliferação do mosquito”, explica Juliana Trigo.


Como funciona a tecnologia – A EDL utiliza a água para atrair a fêmea do Aedes aegypti. Ao entrar na estação, o mosquito entra em contato com uma tela impregnada com larvicida, que adere às patas e ao corpo. Quando a fêmea sai em busca de outros recipientes com água para colocar os ovos, pode levar o produto para esses locais, contribuindo para atingir possíveis criadouros e impedir o desenvolvimento de larvas e pupas.
Para manter o funcionamento da estação, os agentes de combate às endemias realizam visitas a cada 15 dias para verificar as condições do equipamento e repor a água. A tela impregnada com larvicida é substituída a cada 30 dias.
“Cada armadilha tem uma localização geográfica, então conseguimos monitorá-la tanto daqui, pela Gerência de Vigilância Ambiental, quanto no próprio local onde está instalada. A cada 30 dias, é possível verificar as condições da estação, como o nível da água. Se, por acaso, alguém retirar ou alterar a estrutura, essa situação também será registrada. Todos esses dados são atualizados e encaminhados para a Secretaria de Saúde do Estado e para o Ministério da Saúde”, explica Paulo Pê, agente de combate às endemias.


Parceria da população – Segundo Juliana Trigo, um dos principais desafios do trabalho de prevenção e controle do mosquito é contar com a colaboração da população e dos responsáveis pelos imóveis para permitir o acesso das equipes da vigilância ambiental. A abertura das portas e a parceria dos proprietários são fundamentais para que os agentes possam realizar as vistorias, acompanhar as estações e identificar possíveis pontos de proliferação do mosquito.
“A ciência vem avançando nos estudos e trazendo novas ferramentas para o controle do mosquito e a gestão municipal, junto com os nossos ACEs, está fazendo a sua parte. Mas o mais importante é contar com a participação da sociedade. Precisamos que a comunidade abra as portas, facilite o acesso das equipes para as vistorias e também faça a sua parte, observando os próprios imóveis e evitando qualquer recipiente que possa acumular água. A prevenção é um trabalho conjunto, e a participação de todos é fundamental”, ressalta a gerente.
No ferro-velho do Irenaldo Silva dos Santos, onde a primeira EDL foi instalada, ele destaca a satisfação em poder colaborar com o trabalho das equipes da Vigilância Ambiental e contribuir, de alguma forma, para a prevenção da dengue. “Eu me sinto muito honrado em poder ajudar de alguma forma no combate a essa doença tão terrível que é a dengue. Se abrir as portas do meu ferro-velho e colaborar com o trabalho dos agentes pode ajudar a prevenir a doença, para mim é uma satisfação. Estamos à disposição para ajudar”, pontuou.
A expectativa da gestão municipal é que a implantação gradual das mais de 800 EDLs em pontos estratégicos de toda a Capital amplie a capacidade de prevenção e controle do Aedes aegypti e contribua para a redução da circulação do mosquito e, consequentemente, dos casos de dengue, zika e chikungunya. Após instaladas, as estações serão monitoradas via satélite pelas equipes da Vigilância Ambiental, permitindo o acompanhamento da localização e das condições das estruturas. A iniciativa une tecnologia, atuação dos agentes e participação da população para fortalecer as ações permanentes de combate às arboviroses em João Pessoa.
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