
Prefeitos de sete municípios da 9ª Região Administrativa participaram, nesta terça-feira (15), de uma reunião no Paço Municipal de Araçatuba (SP) para avançar na criação de uma aliança regional. A iniciativa busca organizar as principais demandas das cidades e ampliar a capacidade de negociação com os governos estadual e federal.
Participaram da reunião o prefeito de Araçatuba, Lucas Zanatta; a prefeita de Birigui, Samanta Borini; o prefeito de Mirandópolis, Ederson Pantaleão, conhecido como Grampola; a prefeita de Gabriel Monteiro, Renée Vidotto; o prefeito de Nova Castilho, Maicon Pirola; e o vice-prefeito de Penápolis, Rubens de Medici Ito Bertolini. Também estiveram presentes o chefe de Gabinete do prefeito de Araçatuba, Nelson José da Silva, e o secretário municipal de Governo, Marcelo Teixeira.
Este foi o segundo encontro do grupo. A primeira reunião ocorreu em 25 de agosto. Novas agendas serão realizadas para consolidar a articulação e transformar necessidades hoje tratadas isoladamente em uma pauta regional estruturada, com dados, indicadores, projetos, estimativas de custos e definição de prioridades.
Anfitrião do encontro, o prefeito de Araçatuba, Lucas Zanatta, destacou que a união dos municípios permitirá defender soluções de alcance regional, para além de diferenças partidárias ou interesses eleitorais.
“Os problemas das nossas cidades não terminam nas divisas municipais. Na saúde, no saneamento, na destinação de resíduos, na infraestrutura ou na geração de empregos, os desafios são compartilhados. Quando os prefeitos se unem, organizam as prioridades e apresentam projetos consistentes, a região ganha voz, força e melhores condições de conquistar investimentos. Araçatuba está pronta para contribuir com essa construção coletiva, respeitando a autonomia e a realidade de cada município”, afirmou.
Agenda permanente
A proposta discutida pelos prefeitos prevê a criação de uma associação regional de municípios com o objetivo de reivindicar recursos e investimentos, buscar soluções para problemas que ultrapassam os limites municipais, reduzir custos por meio do compartilhamento de serviços e dar continuidade a projetos considerados estratégicos para o desenvolvimento regional.
A primeira meta é demonstrar aos demais níveis de governo que a região está organizada e preparada para apresentar propostas objetivas. O grupo pretende solicitar uma reunião com o governador do estado até o fim de 2026.
Antes disso, as demandas serão divididas por áreas, como saúde, educação, segurança, infraestrutura, saneamento e resíduos sólidos, desenvolvimento econômico, transporte, logística, tecnologia e inovação. Cada proposta deverá apresentar a descrição do problema, justificativas técnicas, dados e o pedido a ser encaminhado.
Soluções compartilhadas
Na área da saúde, uma das preocupações é a ampliação da capacidade regional de atendimento, especialmente para a realização de cirurgias eletivas. A medida pode reduzir o deslocamento de pacientes para centros distantes e diminuir os custos arcados pelas prefeituras.
Os municípios também deverão avaliar soluções conjuntas para o tratamento e a destinação de resíduos sólidos. Entre as possibilidades estão a criação de uma câmara técnica e a realização de estudos sobre modelos de parceria público-privada.
Outro ponto em análise é a busca de alternativas para ampliar os investimentos em água e saneamento, incluindo concessões e parcerias que permitam executar projetos acima da capacidade financeira individual das cidades.
A criação de centros regionais de referência também entrou na pauta. A proposta é estudar estruturas compartilhadas para serviços especializados, como o atendimento a pessoas com transtorno do espectro autista (TEA), dividindo custos e ampliando o acesso da população.
Tecnologia e planejamento
A integração de dados municipais em áreas como saúde, educação, assistência social, resíduos sólidos e saneamento foi apontada como uma das ferramentas para melhorar a gestão pública. O grupo pretende discutir o uso de tecnologia e inteligência artificial na organização dessas informações para orientar ações futuras. A intenção é fazer com que as decisões políticas sejam acompanhadas de estudos capazes de indicar custos, alternativas e resultados esperados.
Os prefeitos também defenderam a participação de universidades e instituições locais, assim como do setor privado, na elaboração de um planejamento de longo prazo. O propósito é assegurar que projetos relevantes para a região tenham continuidade e não dependam exclusivamente de uma administração ou de um mandato.