
Na próxima segunda-feira, 9 de novembro, das 9h às 12h, será realizada, no Auditório Legislativo da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), a audiência pública “Medidas Compensatórias para Licenciamento Portuário no Paraná – Como reduzir impactos de longo prazo e proteger o meio ambiente e as comunidades”.
A iniciativa é do deputado estadual Goura (PDT) e tem como objetivo discutir a efetividade das medidas compensatórias previstas nos processos de licenciamento ambiental dos empreendimentos portuários do litoral paranaense, especialmente diante dos impactos socioambientais de longo prazo sobre as comunidades tradicionais.
Segundo o deputado, a discussão parte da necessidade de avaliar os limites das medidas atualmente adotadas, frequentemente concentradas na construção de equipamentos e em intervenções pontuais, cuja manutenção acaba sendo transferida ao poder público municipal.
A Procuradoria da República no Paraná (PR/PR), unidade do Ministério Público Federal (MPF) no estado, e a Universidade Federal do Paraná (UFPR) já confirmaram participação. Também são esperadas entidades ambientalistas e organizações representativas das comunidades tradicionais do litoral.
Foram convidados representantes do Instituto Água e Terra (IAT), da Diretoria de Licenciamento Ambiental (Dilic) do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da Portos Paraná, além de empresas e instituições que atuam no setor portuário.
Impactos ambientais
Goura chama a atenção para os efeitos de longo prazo das atividades portuárias. Dragagens recorrentes, alterações nos ecossistemas e introdução de espécies invasoras estão entre os fatores que podem comprometer a pesca artesanal e os meios de vida das comunidades atingidas.
“O que se pretende, portanto, é discutir, junto com todas as partes envolvidas, a necessidade de construção de medidas compensatórias estruturantes e duradouras, que contribuam para a manutenção e a recuperação dos modos de vida tradicionais e das atividades econômicas de base comunitária, como programas de fortalecimento da pesca artesanal, alternativas de geração de renda e iniciativas de turismo de base comunitária”, afirmou o deputado.
Outro ponto central do debate será a participação das comunidades tradicionais nos processos de licenciamento ambiental, especialmente a garantia do direito à Consulta Livre, Prévia e Informada, previsto no artigo 6º da Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Distância entre estudos ambientais e realidade das comunidades
A procuradora da República Monique Cheker, especialista em licenciamento de empreendimentos portuários, defende maior aproximação dos órgãos ambientais com os territórios afetados. Segundo ela, as análises são frequentemente realizadas à distância, sem a necessária verificação dos impactos locais. A Dilic, por exemplo, está sediada em Brasília, o que dificulta o acompanhamento direto das condições nas áreas dos empreendimentos.
Com anos de experiência na área, Cheker aponta divergências entre os estudos apresentados pelos empreendedores e os prejuízos efetivamente observados nas comunidades. “Na grande maioria das vezes, o que está no papel não é o que se constata na realidade em termos de prejuízos socioambientais”, afirmou.
A procuradora também alerta para falhas no cumprimento dos protocolos da Consulta Livre, Prévia e Informada aos povos originários e às comunidades tradicionais. Segundo ela, esses grupos nem sempre recebem tempo e condições adequadas para compreender os projetos e seus impactos. Avaliações superficiais, realizadas por consultorias contratadas pelos empreendedores, acabam subsidiando os processos de licenciamento.
Nesse contexto, Cheker destaca a importância das audiências públicas para garantir a participação das populações afetadas e promover o diálogo entre comunidades, empresas e órgãos públicos. A discussão deve contribuir para avaliar os danos socioambientais e definir, de forma democrática e transparente, medidas de compensação.
Medidas compensatórias mais comuns
Entre as medidas compensatórias mais recorrentes nos licenciamentos portuários estão a construção e a reforma de estruturas de embarque e desembarque, como trapiches; a recuperação de áreas degradadas por meio do plantio de espécies nativas; o monitoramento da qualidade da água, dos sedimentos, da biota aquática, das águas subterrâneas, da linha de costa e da atividade pesqueira; e a execução de programas de gestão ambiental.
Mais informações:
Audiência pública: “Medidas Compensatórias para Licenciamento Portuário no Paraná – Como reduzir impactos de longo prazo e proteger o meio ambiente e as comunidades”.
Data: 9 de novembro (segunda-feira)
Horário: das 9h às 12h
Local: Auditório da CCJ na Alep
(Praça Nossa Senhora de Salete, Centro Cívico – Curitiba)
Sergipe Convite à Imprensa: Governo de Sergipe lança editais dos Arranjos Regionais do Audiovisual, com investimento inicial de R$ 1,7 milhão
SAÚDE PÚBLICA Governo do Estado promove planejamento da Rede Estadual de Telessaúde e Saúde Digital
Alagoas PM-AL apreende oito armas de fogo e 76 animais silvestres durante a Operação Biomas
SEGURANÇA Polícia Civil prende homem envolvido em roubo a residência e apreende veículo e munições em Marituba
Legislativo - MS Aprovado projeto de Paulo Duarte que reconhece transplantados como pessoas com deficiência
Acre Centro de Línguas amplia acesso ao ensino remoto de idiomas e forma 71 estudantes no Acre
UEPG UEPG abre cadastro permanente para voluntários do Grupo de Auxílio aos Animais
SAÚDE Pacientes da UTI Pediátrica participam de passeio terapêutico no Hospital Regional de Santarém
OPERAÇÃO ATROPELO Polícia Civil prende homem em flagrante após atropelar adolescentes e fugir sem prestar socorro em Abaetetuba Mín. 20° Máx. 30°