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Política ELEIÇÕES 2026

BRASIL NO EPICENTRO!

Você conhece a política?

20/09/2026 às 11h41 Atualizada em 20/09/2026 às 12h55
Por: Redação Fonte: Folha Brasileira | Geopolítica
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Folha Brasileira | Geopolítica
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BRASIL NO EPICENTRO

 

Quando finanças, Supremo, BRICS, Washington e a eleição de 2026 passam a ocupar o mesmo tabuleiro

Há momentos em que a política interna de um país deixa de poder ser explicada apenas por suas próprias fronteiras.

O Brasil parece atravessar um desses momentos.

Vista isoladamente, a sucessão de acontecimentos entre 2025 e 2026 parece pertencer a histórias diferentes: uma crise bancária envolvendo o Banco Master; disputas dentro do Supremo Tribunal Federal; sanções financeiras impostas pelos Estados Unidos a um ministro da Corte; tarifas extraordinárias contra produtos brasileiros; expansão e institucionalização do BRICS; tensões entre Washington e Brasília; discussões sobre moedas nacionais; e uma eleição presidencial na qual política externa, soberania e alinhamento internacional adquiriram peso incomum.

Quando essas peças são observadas conjuntamente, entretanto, emerge uma fotografia diferente.

Não necessariamente a de uma operação centralizada ou de uma conspiração conduzida por um único ator, mas a de algo mais sofisticado e recorrente na história das grandes potências:

a colisão entre estruturas domésticas de poder e a reorganização da ordem internacional.

É nesse território que o Brasil entrou.

E talvez seja impossível compreender plenamente a eleição de 2026 sem compreender primeiro aquilo que está acontecendo fora dela.


O Brasil tornou-se geopoliticamente grande demais para ser observado apenas como política doméstica

Existem países cuja política interna possui impacto predominantemente regional.

O Brasil não pertence mais inteiramente a essa categoria.

Estamos falando de uma das maiores economias do mundo, de um dos principais produtores globais de alimentos, de uma potência energética, mineral e ambiental, de um ator central na América do Sul e de um Estado que possui relações estratégicas simultaneamente com Estados Unidos, China, União Europeia, Rússia, Índia e Oriente Médio.

O Brasil também é membro fundador do BRICS.

Isso significa que qualquer mudança significativa em sua orientação internacional possui efeitos que ultrapassam Brasília.

Para Washington, o Brasil é uma potência continental localizada no hemisfério historicamente considerado área prioritária da política externa americana.

Para Pequim, é fornecedor estratégico de commodities, alimentos, energia e minerais e um dos parceiros econômicos mais importantes no mundo em desenvolvimento.

Para o BRICS, o Brasil oferece algo ainda mais raro: legitimidade política.

Sem o Brasil, o agrupamento poderia ser interpretado com maior facilidade como uma arquitetura predominantemente asiática e euroasiática.

Com o Brasil, torna-se também atlântico, latino-americano e global.

É exatamente por isso que a política brasileira passou a adquirir uma dimensão internacional cada vez maior.


2014 foi um ponto de inflexão

Em julho de 2014, Fortaleza recebeu uma reunião que, retrospectivamente, merece mais atenção do que normalmente recebe no debate brasileiro.

Foi ali que Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul formalizaram o Novo Banco de Desenvolvimento e o Arranjo Contingente de Reservas.

O BRICS começava a construir instituições.

Essa transformação era qualitativa.

Até então, o agrupamento poderia ser interpretado essencialmente como espaço político e diplomático.

A partir daquele momento, passou também a desenvolver infraestrutura financeira.

Em geopolítica, essa diferença é fundamental.

Potências não são sustentadas apenas por território, população ou forças armadas.

São sustentadas por sistemas.

Bancos.

Mercados.

Moedas.

Crédito.

Tecnologia.

Rotas comerciais.

Sistemas de pagamento.

Infraestrutura energética.

Instituições multilaterais.

O sistema liderado pelos Estados Unidos possui precisamente essa característica: não depende apenas do poder de Washington, mas de uma arquitetura econômica e financeira construída durante décadas.

O dólar está no centro dela.


O dólar não é apenas uma moeda. É infraestrutura geopolítica

Existe uma tendência a reduzir o debate sobre “desdolarização” a uma eventual substituição do dólar por outra moeda.

Essa leitura é superficial.

A força do dólar deriva de uma rede.

Mercados financeiros extremamente profundos.

Títulos do Tesouro americano.

Bancos correspondentes.

Fundos internacionais.

Comércio de commodities.

Liquidez global.

Reservas de bancos centrais.

Derivativos.

Empréstimos denominados em dólar.

Infraestrutura jurídica e financeira.

Esse ecossistema produz uma extraordinária vantagem estratégica.

Quando uma instituição, empresa ou indivíduo necessita acessar componentes dessa infraestrutura, decisões regulatórias americanas podem produzir efeitos muito além do território dos Estados Unidos.

É aí que política externa e sistema financeiro se tornam praticamente inseparáveis.

Sanção financeira é diplomacia convertida em infraestrutura.

E foi exatamente esse mecanismo que entrou diretamente na política brasileira em 2025.


Julho de 2025: Washington atravessa a fronteira institucional brasileira

Em 30 de julho de 2025, o Departamento do Tesouro americano colocou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, na lista de sanções da Global Magnitsky.

Era um acontecimento extraordinário.

Não se tratava de uma nota diplomática.

Não era uma declaração política.

Era uma ação dentro da infraestrutura financeira americana direcionada contra um integrante da mais alta Corte brasileira.

Posteriormente, o alcance das medidas chegou à esposa de Moraes e ao Instituto Lex.

Em dezembro de 2025, entretanto, Washington retirou Moraes, Viviane Barci de Moraes e o Instituto Lex da lista de sanções.

A reversão é tão importante quanto a aplicação inicial.

Ela demonstra precisamente como instrumentos financeiros podem acompanhar mudanças diplomáticas.

Sanções entram.

Sanções saem.

A infraestrutura permanece.


Poucos dias antes, outra fronteira já havia sido atravessada

Aquele não foi o único episódio de 2025 em que uma disputa doméstica brasileira ganhou dimensão bilateral.

Em julho daquele ano, Donald Trump anunciou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e relacionou explicitamente a medida, entre outros argumentos, ao tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro pelo sistema judicial brasileiro.

Posteriormente, setores relevantes receberam exceções, incluindo aeronaves, energia e suco de laranja.

Independentemente da posição que se tenha sobre Bolsonaro, Lula, Trump ou o STF, o significado estrutural do episódio é enorme.

Uma questão central da política doméstica brasileira passou a integrar formalmente uma decisão comercial americana.

Nesse momento, já não era mais possível sustentar que a política interna brasileira e a política externa americana existiam em compartimentos completamente separados.

A fronteira havia sido atravessada.

E os mercados perceberam imediatamente.

Após o anúncio tarifário inicial, o dólar chegou a subir mais de 1,5% diante do real em uma sessão, mostrando como uma decisão geopolítica rapidamente se transmite para preços financeiros domésticos.

Essa é a mecânica real da geopolítica moderna.

Uma declaração em Washington altera o câmbio em São Paulo.

O câmbio altera expectativas de inflação.

A inflação influencia juros.

Juros alteram crédito.

Crédito influencia empresas.

Empresas influenciam emprego e investimento.

E aquilo que começou como política externa retorna ao eleitor como economia doméstica.


Enquanto isso, o BRICS avançava

Em 2025, sob presidência brasileira do BRICS, Brasília descartou a ideia de uma moeda única do bloco, mas colocou entre suas prioridades formas de conectar sistemas de pagamento e ampliar o uso de moedas nacionais nas transações entre os integrantes.

A agenda não era criar imediatamente um “novo dólar”, mas diminuir custos e dependências nas transações internacionais.

Essa distinção é essencial.

Desdolarização não significa necessariamente eliminação do dólar.

Significa criar alternativas suficientes para que Estados reduzam vulnerabilidades.

Em setembro de 2026, a cúpula do BRICS em Nova Délhi voltou a avançar justamente nessa direção.

O comunicado tratou da ampliação do comércio em moedas nacionais, da interoperabilidade entre infraestruturas financeiras e até de discussões relacionadas a moedas digitais de bancos centrais.

Ou seja:

enquanto Washington demonstrava capacidade de utilizar tarifas e sanções como instrumentos de política externa, o BRICS discutia mecanismos destinados precisamente a aumentar a autonomia financeira de seus integrantes.

Esses acontecimentos não precisam ter sido coordenados para fazerem parte da mesma transformação histórica.

São respostas diferentes à mesma estrutura internacional.

Acessar o Bloco 02

Banco Master, STF e a anatomia interna do poder

Enquanto Washington, o dólar e o BRICS redesenhavam as pressões externas sobre o Brasil, uma crise aparentemente doméstica começava a abrir outra frente no coração do sistema financeiro brasileiro.

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