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Economia ELEIÇÕES 2026

J.P. Morgan aponta 59.7% contra 40.3%

Levantamento indica 59,7% de chance de vitória de Flávio Bolsonaro, contra 40,3% de probabilidade de reeleição de Lula.

03/10/2026 às 22h31 Atualizada em 03/10/2026 às 23h43
Por: Redação
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Folha Brasileira
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POLÍTICA & MERCADO

A democracia abre a urna; o mercado abre a mesa

Cassino costuma exigir uma gentileza básica do cliente: apostar antes de saber o resultado. Parece óbvio, mas a política brasileira de 2026 resolveu sofisticar o jogo. Na véspera do primeiro turno, neste domingo, 4 de outubro, 158,7 milhões de eleitores ainda carregam o voto no bolso enquanto o mercado financeiro já entrou no salão, pediu uma dose dupla de expectativa e empilhou fichas sobre a mesa presidencial.

A urna ainda nem abriu.

A banca já faz conta.

Uma pesquisa do J.P. Morgan com clientes do banco mostra 59,7% deles apostando numa vitória de Flávio Bolsonaro e 40,3% na reeleição de Lula. Convém guardar o champanhe: não se trata de pesquisa eleitoral, mas de investidores especializados em mercados emergentes. Bloomberg não virou seção eleitoral. O levantamento mede menos a vontade do eleitor do que a pulsação da carteira. No Datafolha, numa simulação de segundo turno, Lula aparece com 48% e Flávio com 45%. Outros levantamentos também registram equilíbrio. O dinheiro escolheu sua ficha. O eleitor ainda escolhe o candidato.

Há ainda um pequeno inconveniente chamado calendário. Se ninguém alcançar maioria absoluta dos votos válidos para presidente em 4 de outubro, o país volta às urnas em 25 de outubro. O primeiro turno também escolherá senadores e deputados e poderá decidir governos estaduais. Mas o capital sofre de ansiedade com serviço premium: gostaria de receber a sobremesa antes que o eleitor termine a entrada.

Na bolsa, essa pressa ganhou até iluminação própria. Segundo o J.P. Morgan, o MSCI Brazil avançou, em média, 0,25% nos dias em que Flávio cresceu nas pesquisas. Nasce aí uma modalidade curiosa de participação cívica: o voto patrimonial. Não precisa título, biometria nem fila. Só saldo.

No centro do salão está a convidada que ninguém consegue ignorar: a dívida pública, hoje em 82,86% do PIB, em agosto, com projeções acima de 90% até 2028 e cenários mais severos chegando a 95%. É quando a disputa eleitoral troca o palanque por uma mesa de avaliação de risco. Lula e Flávio deixam de ser apenas candidatos e passam, nos relatórios estrangeiros, a ocupar colunas de prêmio, desconto e desconfiança.

Os juros completam a decoração. O Copom reduziu a Selic de 14% para 13,75%. O Focus projeta 13,50% no fim do ano, IPCA de 4,92%, crescimento de 1,88% e dólar a R$ 5,20. O Goldman Sachs prefere olhar as curvas de juros. É a elegância da roleta institucional: o cidadão escolhe quem governa; o banco escolhe onde acredita estar a assimetria.

E os estrangeiros não vieram visitar o cassino. Em 2026, já compraram R$ 22,2 bilhões líquidos em ações brasileiras e alcançaram participação recorde nos negócios da B3. Entraram, pagaram a ficha, puxaram a cadeira e perguntaram onde fica a mesa fiscal.

Daí vêm os cenários do J.P. Morgan. Com Flávio e um ajuste fiscal robusto, a bolsa poderia subir até 54%; numa melhora gradual, 28%. Na continuidade da atual política fiscal sob Lula, o banco projeta queda de 7% num quadro de estagnação e de 21% numa crise fiscal mais grave. Não é profecia. É apenas o velho jogo vestido de PowerPoint: aposta vira cenário-base, medo vira prêmio de risco e desejo ganha nome de precificação.

Mas há um detalhe incômodo para quem já gostaria de contar as fichas na madrugada de domingo. A eleição pode estar apenas começando. Com segundo turno, haverá mais três semanas de campanha, nova propaganda eleitoral entre 9 e 23 de outubro e votação em 25. Depois chegam equipe econômica, metas fiscais, composição do Congresso e aquela pergunta que nenhuma planilha responde sozinha: haverá maioria para governar?

O mercado pode apostar no primeiro turno, proteger posição no segundo e reservar camarote para o próximo governo.

A urna, porém, ainda não aceita aposta antecipada.

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