
O consumo de álcool entre as mulheres dobrou nos últimos 20 anos, segundo dados do Ministério da Saúde. Para entender esse fenômeno, o prorama Conversa Saudável, da TV Assembleia, recebe o psiquiatra Gustavo Sehnem, que fala sobre as causas do aumento, os riscos para a saúde e os caminhos para quem precisa de apoio.
Na conversa, o especialista relaciona o avanço do consumo à entrada das mulheres em ambientes antes predominantemente masculinos, como o mercado de trabalho e os encontros sociais, e à pressão para acompanhar o grupo. Ele também cita a dupla jornada e a propaganda que associa a bebida a relaxamento e bem-estar. "Parece que, para ter um momento bom, a gente tem que ter a presença do álcool", observa.
O psiquiatra explica ainda por que o corpo feminino sofre mais com os efeitos da bebida. Por terem menor proporção de água na composição corporal e metabolizarem o álcool de forma diferente, as mulheres atingem concentrações alcoólicas mais altas com a mesma quantidade ingerida. Segundo ele, isso acelera o surgimento de complicações, fenômeno conhecido como efeito telescópico.
Entre os riscos apontados estão a cirrose, a esteatose hepática, alterações de memória e concentração, deficiência de vitaminas e maior incidência de alguns tipos de câncer, incluindo o de mama. Sobre a existência de um limite seguro, a resposta é direta: a orientação atual é de que "não existe uma dose segura".
Gustavo Sehnem também aborda a relação entre álcool, ansiedade e depressão. A bebida pode parecer um alívio no início, mas, por ser depressora do sistema nervoso central, tende a agravar o quadro com o tempo. O mesmo vale para o sono: quem bebe para dormir até pega no sono mais rápido, mas o descanso é entrecortado e pouco reparador.
O programa destaca ainda os sinais de alerta que merecem atenção, como o aumento da tolerância, a sensação de que "falta algo" no fim do dia, a dificuldade de parar na primeira taça e o incômodo com comentários de pessoas próximas. O especialista chama atenção para o preconceito que ainda recai sobre a mulher que bebe, o que muitas vezes leva ao consumo escondido, dentro de casa, e dificulta a busca por tratamento. "Ninguém nasce alcoólatra, a gente desenvolve", lembra.
Outro ponto da entrevista é o papel da família e da cultura na naturalização do álcool. O psiquiatra alerta para os riscos do contato precoce, já que quanto mais cedo o início, maior a chance de dependência, e comenta experiências de outros países e a campanha antitabagismo no Brasil, que reduziu o número de fumantes de forma expressiva.
Para quem se identificou com o tema, Sehnem lembra que há ajuda disponível. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atendimento nas unidades de saúde e nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) álcool e drogas, que funcionam com porta aberta e equipe multiprofissional. Há também os grupos de Alcoólicos Anônimos e o acompanhamento com médicos e psicólogos. O primeiro passo, segundo ele, é reconhecer o problema, sem esperar que a situação se agrave. "Uma característica comum das dependências é perder o controle", alerta.
Para conferir o programa na íntegra, clique aqui.
Cidades Campeonato Municipal das Escolinhas terá 22 equipes e cerca de 900 atletas
ALEMA Café com Notícias debate representatividade feminina, redes sociais e fake news nas eleições
ALEMA Diário da Manhã aborda campanha de prevenção ao câncer de mama
Cidades Quarto dia consecutivo de alerta de baixa umidade do ar para Vitória da Conquista
São Paulo Previsão do tempo para quinta-feira (08), em SP: sensação de abafamento
ALEMA Lugar de mulher é onde ela quiser”, afirma Iracema Vale em discurso de agradecimento a maior votação já alcançada por uma candidata a deputada federal no Maranhão Mín. 19° Máx. 27°