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TCU aponta fragilidades fiscais.

07/10/2026 às 19h46
Por: Redação Fonte: Folha Brasileira
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CONTAS PÚBLICAS

TCU aponta fragilidades fiscais, dívida em alta e inconsistências nas projeções do governo federal

Déficit primário, crescimento da dívida, uso de exclusões para cumprimento formal da meta e falhas de transparência aparecem em auditorias e fiscalizações oficiais sobre as contas da União em 2025 e 2026

O governo federal encerrou 2025 e entrou em 2026 sob uma sequência de alertas do Tribunal de Contas da União sobre a condução fiscal, a trajetória da dívida pública e a consistência das projeções utilizadas na gestão orçamentária.

Os documentos do TCU mostram um quadro de pressão crescente sobre as contas públicas, com déficit primário efetivo, dívida em alta e fragilidades no planejamento fiscal. As contas presidenciais de 2025 foram aprovadas com ressalvas, acompanhadas de alertas sobre sustentabilidade da dívida, estimativas de receitas e despesas e transparência orçamentária.

Déficit efetivo foi de R$ 58,7 bilhões

O resultado primário efetivo do Governo Central em 2025 foi negativo em R$ 58,69 bilhões, equivalente a 0,46% do PIB.

Para fins de cumprimento formal da meta fiscal, foram excluídos R$ 48,68 bilhões em despesas, reduzindo o déficit ajustado para aproximadamente R$ 10 bilhões, valor enquadrado dentro da banda de tolerância prevista para o exercício.

Dívida pública avançou para 78,7% do PIB

A relação entre a Dívida Bruta do Governo Geral e o PIB passou de 76,3% para 78,7% em 2025.

Segundo o Tribunal, seria necessário um superávit primário de aproximadamente 1,94% do PIB para estabilizar a dívida naquele patamar. A diferença entre o esforço necessário e o resultado observado ficou próxima de 2,4 pontos percentuais do PIB.

As projeções analisadas pelo TCU também mostram que, mesmo com o cumprimento das metas fiscais programadas, a dívida pode continuar crescendo nos próximos anos. Em um dos cenários citados pelo Tribunal, a relação dívida/PIB poderia alcançar cerca de 87,7% em 2029.

Receita recorde não impediu deterioração fiscal

O TCU destacou que o déficit ocorreu mesmo em um contexto de forte arrecadação.

Documentos do Tribunal registram que a receita total do governo em 2025 atingiu o maior patamar da série histórica iniciada em 1995, mas o crescimento das despesas primárias — especialmente das obrigatórias — superou o avanço das receitas.

O resultado nominal do Governo Central alcançou cerca de R$ 950 bilhões, aproximadamente 7,5% do PIB, enquanto as despesas com juros nominais somaram R$ 891,9 bilhões no acumulado de doze meses.

TCU aponta fragilidades na Regra de Ouro

Outro alerta envolve a chamada Regra de Ouro, mecanismo constitucional destinado a impedir o endividamento para financiar despesas correntes.

Embora a regra tenha sido formalmente cumprida em 2025, o TCU alertou para uma insuficiência estrutural crescente nos anos seguintes.

O relatório aponta necessidade de aproximadamente R$ 313,5 bilhões em operações de crédito no PLOA de 2026 para cobertura de despesas correntes, com projeção que poderia alcançar R$ 517,8 bilhões em 2029.

Transparência e rastreabilidade também entram no radar

O Tribunal registrou problemas de transparência e rastreabilidade em programações orçamentárias vinculadas a emendas parlamentares.

Segundo o TCU, a ausência de mecanismos suficientemente claros para identificar e acompanhar determinadas despesas classificadas como programações discricionárias compromete a publicidade e a transparência da gestão fiscal.

Também foram identificadas fragilidades recorrentes na estimativa e classificação de receitas e despesas, com potencial para afetar a qualidade do planejamento fiscal.

Projeções de receita de 2026 apresentam inconsistências

Em fiscalização sobre o primeiro bimestre de 2026, o TCU voltou a identificar problemas na gestão fiscal.

Uma das principais críticas envolveu a estimativa de arrecadação do Imposto de Exportação sobre petróleo.

O governo utilizou uma projeção de exportações de aproximadamente 2,5 milhões de barris por dia, enquanto a média observada nos primeiros meses do ano estava em cerca de 2,1 milhões.

A diferença, de aproximadamente 16%, poderia gerar uma frustração de receitas da ordem de R$ 2,5 bilhões, segundo o Tribunal.

Divergência de pelo menos R$ 446 milhões no Siafi

O TCU também encontrou inconsistências entre valores apresentados no Decreto de Programação Orçamentária e Financeira e registros existentes no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal.

A diferença identificada foi de pelo menos R$ 446 milhões em tributos como Imposto de Renda, IPI e ITR.

A Receita Federal também não apresentou, segundo o Tribunal, detalhamento suficiente para permitir a validação integral das estimativas relacionadas à tributação de dividendos.

Previdência mantém déficit elevado

O Regime Geral de Previdência Social apresentou resultado negativo de R$ 317,2 bilhões em 2025, equivalente a 2,49% do PIB.

Segundo a fiscalização do TCU, cerca de 64,8% desse resultado estava associado ao desempenho da previdência rural, mantendo uma tendência considerada estruturalmente deteriorada.

BOX

PRINCIPAIS PONTOS DE ATENÇÃO

Fonte: Tribunal de Contas da União.

O que os documentos oficiais mostram

Os relatórios do TCU não descrevem apenas um problema pontual, mas uma combinação de fatores: déficit efetivo, aumento da relação dívida/PIB, fragilidades na estimativa de receitas e despesas, problemas de transparência e necessidade de esforço fiscal significativamente maior para estabilizar o endividamento.

As contas de 2025 foram aprovadas com ressalvas, e o próprio Tribunal registrou alertas sobre riscos à gestão fiscal e orçamentária.

Conclusão

Sob a ótica estritamente fiscal e de controle, os documentos oficiais revelam um governo submetido a pressões relevantes sobre as contas públicas.

A dívida avançou, o resultado primário efetivo permaneceu deficitário e o esforço necessário para estabilizar o endividamento ficou muito acima do observado. Ao mesmo tempo, auditorias do TCU identificaram inconsistências em projeções de receita, divergências em registros fiscais e fragilidades de transparência.

Esses dados sustentam uma leitura crítica da condução fiscal do governo federal. Eles não autorizam, isoladamente, um julgamento completo sobre todas as áreas da administração, mas constituem evidência objetiva de problemas importantes na gestão das finanças públicas.

Referências

Tribunal de Contas da União — Contas do Presidente da República de 2025

Tribunal de Contas da União — Principais achados de auditoria

Tribunal de Contas da União — TCU aprova com ressalvas as contas do presidente da República de 2025

Tribunal de Contas da União — Tribunal analisa cumprimento das regras fiscais em 2025

Tribunal de Contas da União — Tribunal avalia Dívida Bruta do Governo Geral em 2025

Tribunal de Contas da União — Acompanhamento do TCU fiscaliza execução orçamentária de 2025

Tribunal de Contas da União — TCU analisa gestão fiscal das contas públicas no 1º bimestre de 2026

Tribunal de Contas da União — Pesquisa textual e registros oficiais sobre as Contas do Presidente da República de 2025

Para reforçar o enfoque crítico
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