
O professor, fotógrafo e cineasta alagoano Celso Brandão recebeu, na noite dessa sexta-feira (9), na Associação Comercial, em Maceió, o título de Doutor Honoris Causa. A homenagem foi aprovada pelo Conselho Superior da instituição em reconhecimento à contribuição do artista à cultura e às artes em Alagoas.
Celso Brandão, de 75 anos, é graduado em Comunicação Visual pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e especialista em Fotografia como Instrumento de Pesquisa nas Ciências Sociais pela Universidade Cândido Mendes. Atuou como professor de fotografia nos cursos de Arquitetura e Comunicação Social da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) por cerca de 30 anos.
Para Celso Brandão, o recebimento da honraria é um estímulo para continuar produzindo. “[Receber esse título] significa que meu trabalho não foi em vão e que minha vida está tendo um reconhecimento. A minha sensação é de que tudo valeu a pena. Essa honraria me dá muita responsabilidade para trabalhar ainda mais”, disse.
Com uma produção profícua ao longo de mais de cinco décadas, Celso Brandão é uma referência local e nacional por suas fotografias, exposições, publicações e filmes que destacam a cultura nordestina, com ênfase nas pessoas e nas manifestações alagoanas.
A proposta da homenagem, a mais importante da instituição, foi feita pelo reitor Odilon Máximo de Morais, presidente do Consu. “É uma grande satisfação ter Celso Brandão como nosso professor Doutor Honoris Causa. A trajetória de Celso é similar à própria história da Uneal ao promover a visibilidade e incluir aqueles que mais necessitam. Além de dar voz, Celso Brandão preserva a cultura por meio de suas imagens, mostrando a diversidade de Alagoas para o Brasil e o mundo”, afirmou.
Carreira intensa com reconhecimento nacional e internacional
O mestrando e mascareiro Thiago Souza e o realizador audiovisual Igor Machado fizeram uma breve apresentação da carreira do homenageado, destacando sua contribuição para a fotografia, o cinema, a cultura popular e a memória alagoana.
“Este título de Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual de Alagoas é o reconhecimento não apenas de um artista, um fotógrafo e um cineasta, mas de quem dedicou e dedica sua vida a revelar a grandeza cultural do nosso povo e que, com seu trabalho, ajudou a transformar a própria história que documentou”, destacou Thiago Souza.
Entre os trabalhos de Celso Brandão, estão as exposiçõesArgueiro, um cisco no olho(Galeria Fotóptica, São Paulo, 1993),Canudos(Instituto Moreira Salles, Rio de Janeiro, 2002),Memento(Casa da Aposentadoria, Penedo, 2013 / IPHAN, Maceió, 2014),Canto Oculto(CAIITE, Centro de Convenções / Pinacoteca Universitária da Ufal, 2015),Boîte noire(Maison Européenne de la Photographie, Paris, França, 2016),Taramps(Galeria do Sesc Centro, Maceió, AL, 2016-2017) eCaixa-Preta(Caixa Cultural, DF, 2016/2017 / Galeria Gávea, RJ, 2017).
Celso Brandão é autor de mais de 20 publicações, entre as quaisCarrapicho: cerâmica e arte,Exposição Arte de Alagoas: Centenário do Poeta Jorge de Lima,Arte Pará: Nordeste Brasileiro – Matriz Popular e Consciência Construtiva,Santeiros da Bahia: Arte e Religiosidade,Mestres Artesãos das Alagoas: Fazer Popular, Memento, Ilha do Ferro(fotografias de Celso Brandão, com textos de Fernando Fiúza e Pierre Devin) eCaixa-Preta.
Entre as dezenas de filmes realizados entre 1974 e 2025, destacam-seGuerreiros das Alagoas(1984),Papa Sururu(1990) eBobos de Tatuamunha(2012). Muitos de seus trabalhos recentes podem ser assistidos no site vimeo.com/estreladonorte/videos .
Para Celso Brandão, suas maiores obras são os filmesO Ponto das ErvaseMemória da Vida e do Trabalho, além dos livros de fotografiaCaixa-PretaeIlha do Ferroe das exposiçõesCaixa-Preta(na Maison Européenne de la Photographie, em Paris) eArgueiro, um cisco no olho(na Galeria Fotóptica, em São Paulo).
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